Protestos reuniram milhares de egípcios na madrugada de hoje (3), após a condenação à prisão perpétua do ex-presidente Hosni Mubara ontem (2). As multidões, que se aglomeraram no Cairo, em Alexandria, Suez e Mansoura, pediam a pena de morte para o ex-presidente e criticavam o fato de seis importantes ministros e oficiais da era Mubarak terem sido absolvidos das acusações de participação em 850 mortes ocorridas durante o levante popular no ano passado.
A Praça Tahrir, local-símbolo das manifestações antigoverno em 2011, voltou a ser ocupada por manifestantes, que dizem que pretendem permanecer no local. Também estiveram presentes ali figuras públicas de destaque e torcedores de futebol conhecidos como Ultras, que já estiveram envolvidos em diversos confrontos políticos.
Na praça, slogans contra o governo militar egípcio voltaram a ecoar. A ira dos manifestantes no local se devia, principalmente, à absolvição dos membros das forças de segurança, o que foi visto pelos egípcios como um sinal de que poucas reformas foram implementadas desde o fim da era Mubarak.
Outros foram às ruas para expressar sua insatisfação com a atual situação política. Após o primeiro turno das primeiras eleições presidenciais livres, em maio, os egípcios agora têm de escolher, no segundo turno, entre Ahmed Shafiq, ex-premiê de Mubarak, e o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi.
Em comunicado após o julgamento, a Anistia Internacional disse que a condenação de Mubarak é um passo significativo contra a impunidade no Egito. A organização acrescentou ainda que a absolvição de membros das forças de segurança “ainda deixa muitos esperando por justiça”.