Antes usado exclusivamente nas áreas externas da casa, como decks nas varandas e pergolados no jardim, o bambu aparece também na parte interna, na forma de quadros, mesas e bancos. Biombos ou ainda utensílios para a cozinha, como tábua de carne, suporte para facas ou cabo de talheres, também são comuns, e até mesmo pisos são feitos a partir dele. “Esse material sempre foi muito utilizado como estruturas das casas no Japão e na China, por conta da sua durabilidade e facilidade na adaptação a diversas formas”, explica o arquiteto Lisandro Piloni.
O também arquiteto Gustavo Calazans pontua que antes o material dava essa ideia de ambiente com toques orientais, mas que hoje isso não acontece necessariamente. “Ele se adapta a todo tipo de ambiente, até aos mais sofisticados.”
Por ser fruto de reflorestamento, a planta é usada como alternativa mais sustentável à madeira. “Para fazer pisos, as madeiras mais usadas sempre são as mais nobres. O bambu, não. A planta utilizada foi cultivada para isso”, compara Calazans. “Esse material tem sido bem procurado por conta da sustentabilidade e reaproveitamento que oferece, já que tem uma produção bastante rápida – cerca de três anos –, do plantio ao corte. Se bem tratado contra pragas como insetos e carunchos, dura mais de 25 anos, o mesmo que o eucalipto”, resume Piloni. O bambu também serve como isolante acústico, já que suas textura e formação servem como rebatedores de som.
Para painéis, pérgolas e revestimento, a manutenção é simples e deve ser feita anualmente. Para a área externa, utilizam-se máquinas com jatos d’água em alta pressão e uma espécie de verniz, que não exige lixar a peça para fazer reaplicação. Na parte interna, bastam um pano seco para tirar o pó e a aplicação de cera de carnaúba. De acordo com Guilherme Schendel, supervisor comercial da empresa Bambu Carbono Zero, o processo de preparo da planta depende da área em que será usada. “Se o bambu vai ser colocado em ambientes externos, passa pelo tratamento em autoclave, que consiste em subir a pressão da peça a frio. O pedaço que vai para a área interna é tratado a temperaturas altas, em um processo conhecido como cozimento.”
Apesar de mais procurado atualmente, muitos tipos de bambu ainda não estão disponíveis no Brasil. “Não temos as espécies mais adequadas para construção nem a tradição de uso em larga escala. Há lugares em que não há disponibilidade do material para pronta entrega. O custo dele ainda é bastante alto por ser uma cultura perene e renovável”, afirma Susana Bandeira, engenheira agrônoma e paisagista da Maria Flor Paisagismo.