A greve da Polícia Federal derrubou em 64% o número de operações contra criminosos no País. Entre agosto e setembro de 2012, a PF executou 21 ações, enquanto no mesmo período do ano passado, ocorreram 59. Antes da paralisação, iniciada no dia 7 de agosto, o órgão havia feito 166 ofensivas. Do dia em que a categoria cruzou os braços até quinta-feira passada - pouco mais de dois meses - apenas 24 investigações acabaram efetivadas.
Em relação às drogas, a queda também é evidente. Antes da greve, a PF, apreendeu, na média, 4.980 kg por mês de maconha e 1.229 kg de cocaína. Nos primeiros 30 dias de paralisação, no entanto, o volume desabou para 2.310 kg de maconha e 521 kg de cocaína. Uma redução de 46% e 42%, respectivamente.
Para o agente da PF e diretor de comunicação da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Josias Fernandes Alves, os números demonstram a importância dos grevistas. "Estimamos que, em média, cerca de 60% dos policiais federais das unidades de inteligência cruzaram os braços. O que permiti estimar que mais de 180 operações policiais, em todo o País, foram interrompidas, paralisadas ou suspensas, enfim, prejudicadas."
"Vale salientar que, acima de disputas internas e corporativistas, entre os delegados e os policiais federais dos demais cargos, todo o trabalho é feito em equipe. O principal motivo da nossa greve é justamente o reconhecimento das atribuições que de fato hoje são desenvolvidas por todos os policiais federais. O agente da PF, por exemplo, tem a função de coletar, analisar e relatar a maioria das provas que serão apreciadas pela Justiça", disse Josias.
As operações da PF são relacionadas à prevenção e repressão de crimes fazendários, previdenciários, financeiros e desvios de recursos públicos, contra o patrimônio e tráfico de armas, tráfico de drogas, crimes cibernéticos e ambientais.
Segundo o diretor de comunicação, a paralisação mostra a falta de estrutura do departamento, que é ligado ao Ministério da Justiça. "A PF poderia ser muito mais eficiente se ela estivesse melhor estruturada com servidores mais motivados. A greve revelou que as fronteiras e aeroportos, os portais de entrada do Brasil, tem muita vulnerabilidade com funcionários terceirizados que ganham um salário muito ruim", lamenta.
O conselho dos 27 sindicatos que representam os policiais federais no País - nos 26 Estados mais o Distrito Federal - devem se reunir nesta segunda-feira para decidir a continuação ou não da greve.
A Polícia Federal informou, por meio de assessoria de imprensa, que não irá se pronunciar sobre a greve dos agentes, escrivães e papiloscopistas. Apenas informou que houve no 1º semestre um crescimento nas operações em 30% na comparação com 2011, mesmo com um grande efetivo de policiais realocados para a Bahia devido à greve da Polícia Militar, e para o Rio +20, onde a PF liderou o policiamento. De acordo com a assessoria, é claro que há um prejuízo nas operações, mas não é tão grande como se imagina.
Essa já é a maior greve da história da PF. Em 1994, uma greve durou 62 dias, enquanto a greve de 2004 durou 64 dias. Neste sábado, a greve completa 68 dias.