Um dos depoimentos mais aguardados para o julgamento do goleiro Bruno Fernandes de Souza e outros quatro réus, a partir das 9h da próxima segunda-feira no Tribunal do Júri do Fórum de Contagem (MG), é o do delegado Edson Moreira, que chefiava a Delegacia de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em 2010, quando o assassinato de Eliza Samúdio foi apurado. Os advogados de defesa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, já anteciparam que vão "apertar" Moreira durante pelo menos três dias. "Ele vai ter que explicar tudo (procedimentos da apuração) nos seus pormenores, não vamos deixar passar nada", disse Ércio Quaresma.
No julgamento de Bola pela morte do carcereiro Rogério Martins Novelo, entre os dias 5 e 7 de novembro, Moreira também foi uma das testemunhas arroladas pela defesa e pode sentir um pouco do que o espera. Na oportunidade, o depoimento dele durou mais de 12 horas, mesmo sendo impedido pela juíza Marixa Fabiane, após consulta aos jurados, de responder perguntas sobre o processo de Eliza Samudio.
Após a fase de depoimentos, os advogados Zanone Manuel, Fernando Magalhães e Quaresma queriam que Moreira passasse por uma acareação com o ex-policial. Isso obrigou o delegado a permanecer incomunicável no fórum por quase três dias, até que a juíza decidisse se aceitaria ou não o pedido da defesa. Ao final, depois de uma breve reunião entre os três defensores, eles concordaram em liberar Moreira, que classificou os atos dos advogados como "uma tentativa de castigá-lo".
"A defesa me trouxe aqui para me dar canseira, uma vingança pessoal contra a minha pessoa, tendo em vista que os dois causídicos (advogados) são meus inimigos", afirmou, referindo-se a Zanone Manuel e Ércio Quaresma, com quem teve vários embates que ainda se estendem na Corregedoria de Polícia Civil e podem chegar à Justiça comum. Moreira alega que foi acusado por Quaresma e outro advogado de tentativa de extorsão contra Bruno, ainda na fase de investigação.
"Eles me denunciaram caluniosamente em rede nacional e isso gerou um procedimento (de investigação) na corregedoria. E eu representei, quando fui interrogado, pela denunciação caluniosa porque essa falsidade levantada contra a minha pessoa gerou um procedimento. Só exerci um direito meu", justificou. "Ao final da investigação vou tomar providências por danos morais."
A alegação dos defensores de Bola é de que Edson Moreira "imputou" ao ex-policial a morte de Eliza Samudio por perseguição, já que Moreira e Bola teriam tido divergências quando supostamente foram colegas de profissão nas polícias Militar de São Paulo e Civil em Minas Gerais. O delegado sempre negou essa hipótese diz que nunca trabalhou com Bola, a quem classifica de "especialista em matar". "Aquilo é um camaleão e as lágrimas são de crocodilo. Aquele mata rindo e depois vai ao velório e ainda chora. É de altíssima periculosidade."
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