Depois das escolas de samba – hoje à noite saem as cinco que integram o grupo especial -, a maior atração da folia corumbaense passou a ser o desfile cultural, que resgatou os velhos carnavais que se brincava até a metade do século 20. A Avenida General Rondon entrou no clima nostálgico, no sábado, com a passagem do corso, cordões carnavalesco, pastorinhas e blocos dos marinheiros e de frevo. Este ano, o carnaval cultural – que passou a ser o tema do maior evento do Estado – ganhou maior visibilidade, deixando de fechar a folia, na terça-feira, quando grande parte dos turistas já havia deixado a cidade. Mas será preciso reeducar o público, que não está acostumado com o cumprimento de horário, exigido pela atual organização do carnaval. A avenida ainda estava vazia quando o desfile começou.
“Esse é um costume (atraso nas apresentações, criando espaços vazios durante os desfiles, como ocorria em anos anteriores) que iremos tirar do nosso carnaval”, prometeu a vice-prefeita e presidente da Fundação de Cultura, Márcia Rolon. Por conta do rigor no horário – o desfile começou exatamente às 19h -, muitos foliões também deixaram de desfilar, chegando atrasadas nas concentrações. Com o horário de verão, o desfile cultural iniciou com o crepúsculo da tarde. O sol dourava a avenida por entre as palmeiras centenárias, criando um ambiente tipicamente pantaneiro de um por do sul deslumbrante. O público chegava lentamente, ocupando as arquibancadas e os camarotes, enquanto os 11 blocos oficiais se posicionavam, no centro, para o desfile, que se estendeu até às 4h da manhã.
Volta ao tempo
O corso, com 20 carros antigos, como os fordecos dos anos 60/70, enfeitados, abriu o desfile em grande estilo ao lado dos bonecos gigantes que lembram personagens da cidade. O corso havia praticamente desaparecido em Corumbá. Até os anos de 1970, ocorria o desfile de veículos abertos, com buzinaços, “guerra” da água e muita serpentina, carregando foliões fantasiados. Em seguida, entrou na avenida o animado e frenético bloco do frevo, que reúne crianças e jovens da Oficina de Dança do Pantanal, mantida pela prefeitura. A noite chegava com o céu em azul anil. O ritmo baiano era comum nos bailes carnavalescos de clubes da cidade. Depois, passaram as pastorinhas e os marinheiros, estes responsáveis pela influência do carnaval carioca em Corumbá. O bloco dos palhaços sustentou a alegria na avenida, despertando a atenção principalmente das crianças. Encerrando o desfile,, com muito charme e venusto os cordões Paraíso dos Foliões, Flor de Corumbá, Cinelândia e Cravo Vermelho, fundados entre os anos de 1930 e 1960.
Animação prive
A programação de sábado encerrou-se somente às 4h30 de ontem, com a entrada do trio elétrico do bloco Afoga o Ganso, que arrastou três mil pessoas. O bloco, como outros da cidade, realiza um carnaval privativo, em concentração com camarote, e no primeiro dia apresentou-se o cantor sul-mato-grossense Rominho. Amanhã, a atração é o baiano Marlon Marra.