Cidades

Julgamento em SP

'Não fui eu, quem foi eu não sei', diz Gil Rugai em júri

'Não fui eu, quem foi eu não sei', diz Gil Rugai em júri

Redação

21/02/2013 - 17h42
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O estudante Gil Rugai negou diante do juiz ter cometido o assassinato de seu pai, Luís Carlos Rugai, e da madrasta, Alessandra Troitino. "Não fui eu, agora quem foi eu não sei", disse.

O interrogatório de Gil Rugai começou por volta das 15h50 desta quinta-feira (21). Ele é ouvido no quarto dia do julgamento, que ocorre no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.

Em suas primeiras respostas, Gil Rugai também afirmou que nunca teve arma de verdade e que apenas encostou nelas em duas ocasiões: teve contato com uma espingarda de seu pai e também com a arma de seu instrutor quando fez um curso de tiro.

Ela disse que o relacionamento com o pai era normal. “Não havia nenhuma animosidade”, declarou. Afirmou ainda que já tinha sido demitido dez vezes da Referência Filmes, onde cuidava da contabilidade.

Entretanto, ele ressaltou haver uma relação informal de pai para filho, o que explica o fato de ele voltar para a empresa. “Fui demitido algumas vezes, mas por outros erros, nunca por desfalques”, disse.

Em janeiro de 2004, meses antes do crime, ele afirma ter se desligado por conta própria, mas continuou administrando as finanças pessoais do pai.

Gil Rugai afirmou que o pai apenas questionou algumas das medidas adotadas por ele, como o fato de que poderia ter negociado melhor com alguns fornecedores. Disse ainda que o pai pedia para ele usar sua assinatura. A tese do Ministério Público é que Gil fez desfalques na empresa e nas contas pessoais do pai e que isso desencadeou sua expulsão de casa, a decisão de o pai de obrigá-lo a devolver o dinheiro e a ameaça de uma queixa à polícia.

Gil afirmou que nunca foi seminarista e que estudou teologia – parou em curso no final de 2003. Disse ainda que pretendia ser padre em 2001. Também estudou letras.

Na pergunta sobre se tinha munição, respondeu: "apenas da Segunda Guerra Mundial, sem pólvora".

O depoimento do réu começou depois de outras três testemunhas ouvidas nesta quinta. Falaram o ex-sócio do réu, Rudi Otto Kretschmar; Fabrício Silva dos Santos, que atuava como vigia na Rua Traipu, parte de trás da casa de Luís Rugai; e Francisco Luiz Valério Alves, motorista do vizinho de Luís Rugai.

Todas as vezes em que se refere a Luis Rugai o chama de "papai". Ele afirma que morava em quatro casas ao mesmo tempo, porque tinha quartos na cada das duas avós, da mãe e do pai - que já vivia com a madrasta.

Gil Rugai contou ainda que mudou-se para Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para trabalhar em campanha política local, para trabalhos publicitários, como confecção de santinhos. Ele estava em liberdade provisória e foi à cidade gaúcha sem avisar a Justiça e, após isso voltou a ser preso.

Recentemente trabalhou em confecções de amigos coreanos e em uma loja no Shopping Anália Franco. "Parei tudo por causa do júri", afirmou.

Gil Rugai também foi questionado sobre quem poderia ser o autor do crime e disse que passou dois anos na prisão pensando nisso, mas que desistiu. "Ninguém que eu conhecesse ia querer me prejudicar de forma tão grave assim".

Perguntado pelo juiz sobre pessoas citadas no processo, ele afirmou que o vigia que diz tê-lo visto saindo da casa dos pais mente, e que o delegado Rodolfo Chiarelli, que investigou o crime, não foi gentil com ele, trabalhou pressionado e "tinha que encontrar uma solução para aquilo".

Gil também foi questionado se sabia por que estava sendo processado e respondeu: "não sei por que".

Ele foi interrogado pelo juiz Adílson Paukoski até 17h13, quando o magistrado determinou um intervalo de dez minutos. "Falar que sou inocente, não vai adiantar muito", quando questionado pelo juiz se tinha alguma coisa a acrescentar. O interrogatório foi retomado às 17h45 com perguntas da acusação.

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