O programa de atendimento a viciados em crack do Estado de São Paulo funciona apenas no Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod) na região central da capital paulista. A estrutura que passou a ter juízes e promotores de plantão para atender casos de internação compulsória existe somente na cidade de São Paulo, não sendo acessível aos usuários de drogas no interior do estado. É o que mostra levantamento feito por jornalistas do G1 pelo Estado*.
Fora da capital, quem tiver necessidade de apoio jurídico, psicológico e de assistência social tem de procurar os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que funcionam em convênios com as defensorias públicas e promotoria. Nos locais onde não há defensores públicos, o atendimento é levado para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nas cidades.
O Cratod tem 26 médicos - entre clínicos, psiquiatras e neurologistas - 12 psicólogos, 8 assistentes sociais, 1 terapeuta ocupacional e 1 equipe de enfermagem. Eles cuidam da saúde, do descanso e da alimentação dos dependentes. Outra equipe trabalha para garantir as internações.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse ao G1 que há necessidade de mais Cratods em outras regiões do estado, mas não existe previsão. “Estamos estudando a ampliação do número de centros [Cratods]. Estamos em fase de planejamento e logo mais anunciaremos a ampliação do serviço.”
A internação voluntária é a que ocorre quando o paciente aceita ser internado. Internação involuntária é quando o pedido é feito por familiares. A internação compulsória é determinada pela Justiça.
A Secretaria de Saúde de São Paulo informou que foram registradas 223 internações de viciados em drogas e álcool desde 21 de janeiro deste ano, quando o Cratod passou a ter plantão jurídico para autorizar as internações compulsórias quando fosse identificada a necessidade, o que não ocorreu, de acordo com a pasta. Do total de internações, apenas 17 foram involuntárias e nenhuma delas foi compulsória.
As internações, ainda segundo a secretaria, ocorreram em hospitais da rede pública e conveniada dentro do novo programa no tratamento de dependentes químicos.