Cidades

Renúncia de Bento XVI

'Meu caminhãozinho é pequeno', diz brasileiro sobre papado

'Meu caminhãozinho é pequeno', diz brasileiro sobre papado

Redação

25/02/2013 - 17h05
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Dom Geraldo Majella é um dos cinco cardeais brasileiros que vão participar da eleição do novo papa. Sua condição de votante o torna automaticamente um dos papáveis. Mas isso na teoria. Na prática, a proximidade dos 80 anos tira o mineiro de Juiz de Fora da lista. Sem falar em outras questões práticas e políticas. “Além do mais, o meu caminhãozinho é muito pequeno para tanto peso”, brincou o arcebispo emérito de Salvador ao falar ao Terra dias antes do seu segundo Conclave. Em 2005, ele foi um dos 117 sacerdotes que participaram da eleição de Bento XVI.

 Majella nasceu em 19 de outubro de 1933, saindo da sua cidade natal aos 15 anos para cursar o ensino médio em Pirapora do Bom Jesus, interior de São Paulo. Seu destino poderia ter sido o mesmo de muitos de seus colegas de infância, que estudaram, fizeram carreira, constituíram família. Mas a vida lhe levou pelos caminhos da espiritualidade. Aos 23 foi ordenado padre, antes dos 40 defendeu tese de doutorado em Teologia em Roma, aos 66 se tornou arcebispo metropolitano de Salvador e Primaz do Brasil e, aos 69, cardeal.

Majella carrega em sua trajetória sacerdotal o lema “Caridade com Fé”. Entre os amigos próximos, a característica mais citada é a tranquilidade diante das adversidades e o forte comprometimento com os que estão à sua volta. “Ele é um amigo muito fiel, simples e humano. Um homem sem máscaras”, analisa o monsenhor Ademar Dantas, amigo de Dom Geraldo há 13 anos. Foi dele a função de ecônomo e vigário geral da arquidiocese no episcopado do mineiro. “Não o conhecia pessoalmente e passamos a trabalhar juntos. Foi um imenso aprendizado pessoal e profissional, e também o nascimento de uma amizade estreita. Nos falamos todos os dias.”

Durante seu mandato como arcebispo primaz, Majella enfrentou um dos seus maiores desafios pastorais: comandar a Igreja brasileira na transição entre os papados de João Paulo II e Bento XVI. “Foi um momento difícil. Não sabíamos como alguém poderia substituir um papa tão carismático, mas foi uma surpresa incrível”, revela. A novidade se confirmou numa visita à Santa Sé, quando outro cardeal lhe confidenciou que, com Ratzinger, as catequeses de quarta-feira na Praça de São Pedro passaram a ter mais público do que no tempo de Karol Wojtyla. “Aprendemos que esse não é um Papa para se ver, mas para se ouvir”, conclui.

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