Semana Santa virou sinônimo de celebração de arte e fé em Glória de Dourados (MS), cidade localizada a 275 quilômetros de Campo Grande. Desde 2005, a Paixão de Cristo é encenada no Espaço Cultura Auta Nazáreo Nobre no município e atrai cerca de 6 mil pessoas de diferentes gêneros, idades, religiões e localidades do país.
Ontem, às 20h30min, foi o primeiro dia do espetáculo que reuniu 250 atores voluntários e que foi aberto com apresentação do cantor lírico Marcelo Dias e do pianista Nillo Cunha. Hoje, no mesmo horário, haverá nova apresentação.
Ao longo de nove anos de encenação, a exibição teatral, que já era levada a sério pelos organizadores e atores, foi ficando mais profissional.
Áudio, som e iluminação profissional foram adotados no cenário, tudo para reafirmar o município como ponto de encontro de fiéis que buscam cultura e religião.
“A comunidade quis que tomasse essa proporção. Quando começou já era uma coisa 'pra valer'.”, conta Fábio Germano, ator e organizador da apresentação religiosa.
“Glória (de Dourados) não tem belezas culturais, mas Semana Santa é aqui”, afirma Germano. A encenação da Paixão de Cristo já atraiu turistas de várias cidades sul-mato-grossenses e de Estados vizinhos como São Paulo e Paraná, relata ainda o ator.
Trabalho em equipe
Para a encenação, que dura aproximadamente 1h40min, os atores voluntários ensaiam intensamente e têm aulas de expressão corporal, explica o organizador. Participam da celebração, como atores, balconistas, professores e pessoas de outras diversas profissões que estão interessadas em produzir arte a partir da religião e a difundir cultura aos fiéis.
Costureiras se tornam figurinistas e trabalham, também voluntariamente, para aprimorar a cada ano a confecção das roupas usadas pelos atores. Para Fábio, a prioridade é que todos os participantes, tanto os atuantes quanto os auxiliares na produção, sejam moradores de Glória de Dourados, o que valoriza o que é produzido na região.
Como se trata de um trabalho baseado na religião, imagina-se que doações de fiéis financiem o custo da produção da apresentação. Ao contrário, quem custeia a produção é a Prefeitura da cidade. Este ano foram repassados R$ 60 mil, investidos no aprimoramento do espetáculo de fé
Fábio explica também que sonha com a construção de um espaço maior para apresentação, que deverá ser chamado de Parque da Paixão. No ano passado, o Espaço Cultura Auta Nazáreo Nobre ficou pequeno para tanta gente. Parte do público não conseguiu assistir a peça, lembra.