Integrantes da chamada ‘República de Mato Grosso do Sul’’, acusados de atos de corrupção na Prefeitura de Campinas (SP) tiveram os bens bloqueados por determinação da Justiça. O ex-secretário de Comunicação Francisco Lagos (que exerceu funções semelhante em Campo Grande), o ex-diretor de Controle Urbano, Ricardo Cândia (ex-prefeito de Corumbá) e o ex-diretor técnico da Sanasa, Aurélio Cance Júnior (ex-diretor da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul - Sanesul) integram a lista dos 22 réus alcançados por essa decisão do juiz da 3ª Vara Criminal de Campinas, Nelson Augusto Bernardes.
Entre os bens bloqueados de todos os acusados estão terrenos, apartamentos e glebas de fazendas nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, além de caminhões e tratores.
Da ex-primeira-dama Rosely Nassim Santos, por exemplo, foram bloqueadas partes de 10 imóveis, entre eles uma casa no Condomínio Vila Verde e uma residência no bairro Nova Campinas, além de cotas na empresa Solução Transportes e Logística, que gerou polêmica não ter sido mencionada na declaração de bens dela, além de quatro veículos, oito tratores e 22 caminhões.
De acordo com as investigações do Ministério Público, as fraudes nos contratos de prestação de serviço de obras e manutenção predial chegam a R$ 210 milhões. Para chegar neste cálculo, o Gaeco fez o levamentamento de todos os contratos firmados pela Sanasa entre 2005 e 2008 e que tiveram a participação dos acusados. A soma de contratos é de R$ 190 milhões.
Os promotores também calcularam quanto cada um dos agentes públicos acusados, como Rosely Santos, que também ocupou o cargo de chefe de Gabinete do marido, o prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT), teriam desviado, chegando ao valor aproximado de R$ 20 milhões.
Após o levantamento de todos esses dados, o MP, como medida cautelar, listou os bens dos réus e solicitou o bloqueio. De acordo com o promotor do Gaeco Amauri Silveira Filho, essa é apenas a primeira etapa de uma série de ações que a equipe está realizando para recuperar o dinheiro que teria sido desviado.
O advogado Ralph Tórtima Stettinger Filho, que representa Ricardo Cândia, classificou a medida como ‘desnecessária’ e afirmou que vai esperar ser notificado para definir se vai recorrer ou não. O defensor de Aurélio Cance Júnior, Augusto Botelho, disse que ainda não foi notificado.
O advogado Ralph Tórtima Stettinger, que também representa o ex-prefeito Demétrio Vilagra (ele substituiu Hélio de Oliveira e foi cassado), afirma que não foi notificado e que não se manifestará sobre o assunto.
Já o defensor de Francisco de Lagos, Hugo Leonardo, não quis comentar o caso. A
A nona audiência do caso Sanasa está marcada para a tarde desta segunda-feira (1º), quando são esperados os depoimentos de Rosely, Lagos, Vilagra, além de Cance Júnior e Marcelo de Figueiredo.