Educação
Contrariando o que muitos “especialistas” em Síndrome de Down pregam, a mãe de Vinícius, Ana Célia Battaglin Coquemala, 46 anos, optou, desde a primeira infância do filho, por colocá-lo no ensino regular. Hoje, pode afirmar que acertou na escolha, na época, considerada arriscada e condenada por muitos. “Não foi fácil. Alfabetizá-lo foi a maior dificuldade. As séries iniciais ele teve de repetir todas”.
Claro que Vinícius também passou pelas mãos de vários profissionais para apoiá-lo no quesito escola e ajudá-lo no desenvolvimento motor e cognitivo como um todo. “Toda criança com Síndrome de Down ou não precisa de estímulo para se desenvolver. Foi o que a gente sempre fez com o Vinícius”. Mas, a mãe acredita que ele só chegou onde chegou porque ele quis. “Ele sempre foi assim. Ele sempre falou em ganhar o mundo”.
Radiante, Ana Célia diz não ter palavras para descrever o quanto ficou feliz quando viu a conquista do filho. “No nascimento do Vinícius, quando eu soube que ele tinha Síndrome de Down é claro que eu fiquei triste, eu tive luto. Mas, depois, eu aprendi, com ele, que as pessoas são diferentes e que a gente tem de perceber essa diferença nas pessoas, cada um tem suas dificuldades e se a gente é consciente disso, isso se torna uma via de mão dupla.
Eu aprendo com ele e ele aprende comigo, e assim por diante. O importante é não rotular”, dá o recado.
Formada em Biologia, Turismo e aluna de graduação em Teologia, Ana Célia, que é uma estudiosa por paixão, acredita que o exemplo de Vinícius quebra mais um tabu e acredita que por falta de incentivo da própria família outros portadores da Síndrome de Down levam os rótulos de deficientes incapazes de superar as próprias dificuldades. A vitória de Vinícius é mais que individual, na opinião dela. “Eu quero que meu filho seja feliz e por isso o incentivo a fazer o que ele gosta. Deveria ser assim, mas as vezes, por falta de conhecimento, as famílias ficam acomodadas e não deixam as pessoas como meu filho buscar novos desafios”.
Vinícius também deixa uma mensagem para os que são como ele. “A pessoa tem de ter coragem e persistência. Só assim vão conseguir quebrar barreiras”.