A Polícia Civil apreendeu um adolescente de 15 anos que confessou participação no latrocínio ocorrido no último dia 2, na fazenda Araras, em Pedro Gomes (MS). O pecuarista Oscar Serrou Camy, de 78 anos, e sua filha Marta Serrou Camy, de 44 anos, morreram queimados. O delegado Amylcar Eduardo Romero disse que, para conseguir a confissão do menor, teve de apresentar vários fatos que confirmavam o envolvimento dele. O adolescente foi ouvido na madrugada de ontem (16) e revelou detalhes do crime cometido por ele e mais dois comparsas, que identificou como Carlos e Robson, que estão sendo procurados pela polícia. Segundo ele, as duas vítimas foram queimadas ainda vivas. Depois de serem servidos com tereré na casa da família, Robson foi até os fundos e pegou uma barra de ferro, pedindo para o adolescente se afastar, pois iriam “matar o velho”. Oscar ouviu a conversa e se trancou num quarto, enquanto Marta correu para os fundos da residência. Carlos ficou batendo na porta para arrombar e Robson ficou segurando a mulher. Ao conseguir entrar no quarto, Carlos derrubou Oscar no chão e pediu que o adolescente chutasse, sempre exigindo dinheiro. Diante da afirmação do pecuarista, de que não tinha dinheiro, Carlos desferiu um golpe na cabeça dele. Em seguida, o adolescente e Carlos começaram revirar a casa em busca de dinheiro.
Conforme o depoimento do adolescente, a mulher foi levada para dentro da casa e começou a ser agredida e estuprada por Carlos e Robson, que em seguida o chamaram para participar. O menor disse que também estuprou a vítima, que estava com um pano na boca, para não gritar. Depois do adolescente, os outros dois voltaram a estuprar Marta, até que ela desmaiou e foi levada para o quarto onde o pai estava ferido. De acordo com o menor, os três então jogaram um colchão em cima das vítimas, depois despejaram álcool e atearam fogo. Enquanto pai e filha eram consumidos pelas chamas, os três continuaram vasculhando a residência, onde encontraram R$ 930 e um revólver de calibre 38 com quatro munições intactas e uma deflagrada. Além do dinheiro e da arma, o trio levou uma bicicleta e algumas roupas das vítimas. O adolescente informou que o carro da família não foi levado porque nenhum dos três sabia dirigir. Eles também não pegaram os celulares por medo de serem rastreados.
Depois de almoçar, o adolescente dormiu até às 16 horas e voltou a encontrar os comparsas. Porém, no meio da semana, Carlos e Robson teriam fugido para a região de Sonora, pois estavam com medo de ser pegos pela polícia. Agora, com base nas características da dupla, a polícia vai produzir retratos falados, na tentativa de localizar ambos. O adolescente informou que Carlos é baixo, magro e moreno, possui duas tatuagens da panturrilha da perna direita, numa delas está escrito “Deus nunca faltarás” e a outra é uma folha de maconha. Nas costas de Carlos está tatuado um palhaço e nas costelas a foto de sua mãe, totalizando quatro desenhos no corpo. Já Robson é alto, magro e moreno e tem duas tatuagens. No braço direito tem desenhos de chamas de fogo e no pulso do braço esquerdo de uma cobra. O adolescente confessou que a barra de ferro usada foi levada para o assentamento e transformada em estaca.
(Com informações do Edição de Notícias)