Num açougue à beira de estrada nos confins do Brasil central, um forasteiro chega para contratar os serviços de um matador de aluguel. Em meio a pedaços de carnes, gotas de sangue no chão, cachaças baratas e facas afiadas um acerto de contas traz à tona lembranças do passado. Essa atmosfera permeia o espetáculo CRU, da Cia Plágio de Teatro, co-dirigido por Alexandre Ribondi e Sérgio Sartório. A montagem já ganhou diversos prêmios desde a estreia em 2009 em Brasília e fez temporadas pelo País e Exterior (Itália, Milão em 2010).
A apresentação será em Campo Grande no Teatro Aracy Balabanian, hoje (27), às 21h e amanhã, às 21h.
Nesta quinta-feira haverá bate papo com a plateia. (Ingresso:R$10 e R$ 20. Classificação: adulto).
Alexandre Ribondi também assina a dramaturgia que narra o encontro perigoso entre o forasteiro evangélico Zé (Chico Sant'Anna), o violento pistoleiro de aluguel, Cunha (Sérgio Sartório), e o dono do açougue, um travesti chamado de Frutinha (Vinicius Ferreira).
O texto de Ribondi discute temas atuais como a violência, a falta de segurança, a banalização da vida, a vingança e o ódio social. Para Ribondi, é uma tentativa de compreensão da maldade.
"Não tratamos a violência com motivações sociais, com raízes na desigualdade ou na opressão financeira. Trata-se da crueldade plantada na alma. A peça pretende buscar novas respostas para a questão da violência, a partir de uma lente colocada sobre essas três personagens em cena", explica.
O espetáculo já circulou por cerca de 50 cidades desde a estreia, fez temporada em Milão (Itália) a convite do consulado Brasileiro no ano do 50º aniversário de Brasília e foi adaptada para o cinema por Jimmi Figueiredo. O filme faturou os prêmios de Melhor Longa-metragem (Festival de Cinema de Brasília, 2011), Melhor Filme de Ficção, Melhor Ator, Melhor Direção de Arte e Melhor Trilha Sonora (Festival de Cinema Guarnicê, MA, 2012) e Melhor Ator (Festival de Cinema de Maringá, PR, 2012).