Depois de queimarem um caminhão, um ônibus, o alojamento e bloquearem trecho da BR-158, ontem, os cerca de seis mil trabalhadores que constróem a fábrica de fertilizantes da Petrobras, em Três Lagoas, prometeram pôr fim a greve que já dura dez dias.
“Quem fez isso (incêndio)foi uma minoria, 20 pessoas, no máximo, mas ao que tudo indica a greve acabou e retornamos ao trabalho amanhã (hoje, no caso). Tem muito gente que não quer a greve, mas são ameaçados”, disse Gilson Brito Frazão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e de Mobiliário e Montagem (Sintricom).
Os grevistas reinvidicam aumento no vale alimentação - de R$ 250,00 para R$ 500,00 -, mudança de alojamento e reajuste igual aos trabalhadores.
O sindicalista afirmou que os manifestantes conseguiram êxito num pedido, o que transferiu o alojamento que ficava perto da obra para a cidade, distância de 30 quilômetros. “Os trabalhadores ficavam no mato, lá não pega nem telefone”, disse Frazão.
O consórcio UFN-3, responsável pela obra, locou ontem um alojamento capaz de abrigar 1.500 trabalhadores, segundo o sindicalista. O restante dos operários - 4,5 mil - já mora em casas alugadas em Três Lagoas.
“Quanto aos outros pedidos vamos continuar negociando. A empresa deu 7% de aumento para uns, 10% para outros, 5% para outros, queremos um reajuste igual para todos. E se o vale alimentação deve aumentar pelo menos uns R$ 50”, afirmou.
De janeiro até agora, os trabalhadores contratados pelo consórcio, quase todos vindos de fora do Estado, deflagraram greve quatro vezes. Esta última, iniciada no dia 17 do mês passado, foi considerada ilegal pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), mas os funcionários recusaram-se a retomar as atividades.
Veja vídeo gravado durante protesto ontem: