Índios que ocupam há 15 anos três fazendas e um distrito, em Antônio João, a 402 quilômetros de Campo Grande, juntaram-se aos produtores rurais numa audiência inédita promovida ontem à tarde, no Clube Social, principal da cidade. Cerca de mil pessoas participaram do evento.
Da invasão para cá, já houve confrontos, morte, sequestro, ameaça, mas, agora, tanto índios como os fazendeiros, disseram que a convivência é pacífica, contudo querem pôr fim ao impasse. A audiência mudou a rotina dos indígenas: entre eles, havia várias crianças e todos faltaram às aulas para acompanhar os familiares.
Durante os discursos, os participantes da audiência, aberta em clima patriótico, como o canto do Hino Nacional, defenderam a indenização aos fazendeiros como meio de garantir a paz na região.
A caiová Léia Aquino, professora, disse que a paciência dos índios atingiu o limite. “Nossas lideranças têm dialogado com os fazendeiros; achamos que a indenização seria um caminho. Mas que fique claro uma coisa: nós não estamos errados, não invadimos terra de ninguém. É nossa. Por enquanto vivemos pacificamente, mas não sei até quando”, disse Léia.
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