Foi adiado para 17 de agosto o julgamento do ex-ditador do Egito Hosni Mubarak sobre as acusações de morte de manifestantes durante a revolta que o derrubou, em 2011. É a quinta vez que a decisão final sobre o caso é postergada.
A nova sessão do julgamento de Mubarak aconteceu sob forte esquema de segurança e em um ambiente tranquilo, enquanto o Egito centra sua atenção na crise política marcada pelo recente golpe militar que destituiu da Presidência o islamita Mohammed Mursi.
O juiz Mahmoud al Rashidi decidiu dar mais tempo à Promotoria para avaliar o tempo que o ex-ministro do Interior Habib al Adli ficou em prisão preventiva. A defesa alega que o tempo foi além do máximo estipulado por lei.
O ex-ministro está entre os réus do processo, assim como outros seis integrantes do regime. O juiz deu até quinta-feira para que os advogados de defesa possam consultar o sumário e apresentar as novas exigências. A defesa ainda pediu que a Justiça avalie as mortes de policiais e funcionários do regime durante a revolta, assim como o faz com os manifestantes mortos pelas forças governamentais.
Este é o segundo julgamento ao qual Mubarak é submetido por envolvimento nas mortes provocadas pela polícia durante as revoltas. Ele havia sido condenado em junho de 2012 à prisão perpétua, mas houve recurso da Promotoria, que deseja a pena de morte, e da defesa, que alegou falta de provas.
A primeira sessão do segundo julgamento aconteceu em 11 de maio, mas o juiz pediu mais prazo para inserir mais provas ao processo. A defesa voltou a pedir a liberdade a Mubarak, assim como de seus filhos, Alaa e Gamal, que estão presos na cadeia de Tora, ao lado do Cairo.
Para os defensores, todos já cumpriram o período máximo de prisão preventiva. Por outro lado, a Promotoria quer que eles continuem presos. Os seis ajudantes do ex-ministro, que haviam sido absolvidos anteriormente, também estão sendo processados pela morte de mais de 800 manifestantes em janeiro de 2012.