O delegado Marcelo Vargas Lopes, eleito no último sábado (06) o novo presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul (Adepol/MS) revelou que 18 cidades do Estado não têm titulares nas delegacias e que o déficit hoje é de mil policiais civis.
Marcelo Vargas, que já esteve a frente da instituição de 2001 a 2003 e de 2005 a 2007, agora permanecerá durante o biênio 2013/2015. “A gente volta para tentar retomar algumas conquistas que conseguimos nos mandatos anteriores, mas que infelizmente foram suprimidas durante os seis anos que ficamos afastados”, comentou.
O presidente explicou que uma de suas lutas será para que o delegado não seja removido de cidade ou de delegacia sem justificativa fundamentada. “As vezes, o delegado está fazendo uma investigação e por motivos externos é removido”, explicou.
De acordo com Marcelo Vargas, existem duas formas de promoção para delegados: antiguidade e merecimento. Esses critérios foram mantidos na Lei Orgânica da categoria, aprovada em 2005. No entanto, em 2010, ela foi modificada e as promoções passaram a ocorrer apenas por merecimento. Desta forma, eles são promovidos por indicação política ou da administração.
Atualmente, existem 211 profissionais na ativa e 156 aposentados.
Defasagem
Marcelo Vargas contou que a categoria sofre com defasagem de pessoal e de estrutura. O déficit é de 100 delegados, mas a situação será amenizada nos próximos dias porque um concurso público está em andamento e pelo menos 30 profissionais serão contratados.
A dificuldade maior dos delegados, no entanto, está na falta de 700 investigadores e 300 escrivães de polícia.
O presidente da Adepol fala com propriedade com relação aos problemas enfrentados no interior no Estado porque até o último dia 23 ele era diretor do Departamento de Polícia do Interior.
“Nós temos 18 municípios sem delegados. O delegado da cidade mais próxima acumula o serviço dele e da outra cidade. Diferentemente das demais carreiras e apesar de estar previsto em lei, o Governo do Estado não paga pela substituição. O delegado acaba tirando dinheiro do bolso para pagar viagens e usa o próprio carro”, criticou.
Como exemplo ele citou que quem responde por Porto Murtinho é a delegada de Nioaque, sendo que a distância entre as cidades é de mais de 250 quilômetros. Ela precisa viajar até o município vizinho pelo menos uma vez por semana ou sempre que tiver alguma situação de flagrante.
“O município fica prejudicado. Corornel Sapucaia, por exemplo, que tem um índice alto de violência, não tem delegado. Paranhos, Aral Moreira e Antônio João são cidades importantes da região de fronteira, que também não têm delegado.
Com relação a questão salarial, o presidente da Adepol disse que a categoria teve sucessivas perdas ao longo dos anos. Para ele, a carreira de delegado ficou para trás se comparada a de defensor e procurador. “A gestão anterior perdeu o foco com relação a questão salarial”, comentou Marcelo Vargas.