O número de transplantes realizados em Mato Grosso do Sul, no primeiro semestre deste ano, cresceu 55% em relação ao mesmo período do ano passado. A informação é da Central de Transplantes do Estado, que atribui esse avanço numérico a diversos fatores, com destaque para o aumento da solidariedade das famílias de doadores, hoje mais sensíveis às necessidades do outro. Apesar do anunciado crescimento do índice de transplantes, a fila de espera pelo procedimento cirúrgico ainda é considerada extensa, aguardando-se os doadores vivos (parentes ou não) e os doadores post mortem. De acordo com Claire Carmen Miozzo, coordenadora da central, de janeiro até o dia 5 deste mês, foram realizados em Mato Grosso do Sul 31 transplantes de rim, quando no ano passado, no mesmo período, o número era de apenas 20. Conforme esclareceu, a situação comporta a análise de vários fatores, a começar pela capacitação das pessoas envolvidas, desde o diagnóstico da morte encefálica, até o transplante, passando pela extração do órgão.
Hoje a central tem um equipamento para realização do exame doppler transcraniano, o que agiliza o fechamento de diagnóstico de morte cerebral. A isso, soma-se a preparação da equipe de contato com familiares para a verificação do interesse de doação de órgãos para transplantes. “De todos esses fatores, temos que a conscientização e solidariedade das famílias, que mesmo numa situação de perda ainda conseguem pensar em outros, são os pontos mais relevantes desse aumento”, disse Claire Miozzo, complementando que, obviamente, de nada adiantaria a capacitação ou estrutura disponibilizada, se não houvesse órgãos para transplantar. Por conta disso, a central sul-mato-grossense tem feito palestras e fomentado a divulgação do assunto junto aos hospitais e postos de saúde, aumentando a conscientização de doadores.
Exemplo
Marlaine Souza, de 24 anos, ainda está internada na Santa Casa de Campo Grande, recuperando-se de um procedimento cirúrgico de transplante de rim. Com insuficiencia renal há quatro anos, quando passou a depender de hemodiálises, há 13 dias ela recebeu o rim de uma irmã. Sob cuidados para evitar uma rejeição do corpo ao órgão substituído, Marlaine espera o retorno para casa e mantém viva a esperança de livrar-se das máquinas de hemodiálise e voltar a ter uma rotina saudável.