Conhecido pelo culto à própria imagem, o ditador sírio Bashar al-Assad inaugurou uma conta oficial no aplicativo de fotografias Instagram.
Assim, o herdeiro de Hafez al-Assad e responsável pela repressão que já deixou mais de 100 mil mortos na Síria se junta aos milhões de usuários da rede social para publicar e comentar imagens.
O perfil de "syrianpresidency" no Instagram -aplicativo desenvolvido por um brasileiro- faz parte da ofensiva de marketing do regime sírio, unindo-se às tropas do YouTube, do Facebook e também do Twitter.
Acessado hoje à tarde, o perfil do ditador já tinha 69 imagens e era seguido por mais de 4.200 pessoas. Ele, porém, não seguia ninguém. Assad publica diversas fotografias de sua mulher, Asma. De traje casual, ela aparece reunindo-se com estudantes e abraçando idosas.
De acordo com os relatos da mídia, parte dos comentários negativos era removida. Restavam dezenas de mensagens de apoio ao ditador. "Nós amamos você", diz um usuário em uma foto de Asma ajoelhada diante de mulheres de véu. Ela veste calça jeans e salto. "Rainha", comenta um outro visitante.
Enquanto isso, um ativista contrário ao regime comentava, no Twitter, que "Bashar al-Assad me bloqueou no Instagram".
O regime da família Assad é marcado por um uso constante de imagens, a exemplo dos retratos de Bashar espalhados por todo o país, por vezes de óculos escuros.
Ao "Daily Mail" Kristyan Benedict, gerente da Anistia Internacional, afirma que "a imagem obviamente faz diferença em um culto à personalidade, e a ilusão de relatividade estabilidade é importante na estratégia de 'me ame ou lhe mato' de Assad".
O ditador enfrenta, desde março de 2011, uma violenta insurgência que já lhe custou parte do território. A repressão às manifestações, inicialmente pacíficas, motivou a forte crítica internacional e deslocou milhões de civis.