Experiências de sucesso na região norte do País, com a coleta e reciclagem de resíduos sólidos, podem ocorrer em Campo Grande. Se o prefeito Alcides Bernal empenhar-se,poderá promover uma palestra de Marcela Gonçalves, assistente técnica e articuladora do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). Convidados, representantes do Poder Judiciário, Ministério Público, Conselho Tutelar, Pastoral da Criança, e, claro, de catadores de lixo em Campo Grande, tomariam conhecimento que essa líder nacional mapeou 14 grupos de catadores em 12 municípios do Amazonas, dos quais, sete organizados em quatro associações e três em cooperativas.
Mulheres constituem 80% dos catadores em Manaus. Parintins, a 369 quilômetros da capital, convivia com resíduos espalhados com a subida das águas do Rio Amazonas.Anteontem, em Brasília, o programa Fortalecimento da Infraestrutura de Cooperativas de Catadores para Coleta, Transporte e Comercialização de Materiais Recicláveis – Logística Solidária Cataforte
confirmou que pretende alcançar 35 redes, 250 empreendimentos solidários e mais de 10 mil catadores no País. O Cataforte dá apoio à coleta seletiva para prefeituras, participa no mercado de logística reversa e promove, conjuntamente, a comercialização e o beneficiamento de produtos recicláveis. No 7º Encontro de Jornalistas promovido em Manaus pela Fundação Banco do Brasil (FBB), Marcela contou o sucesso, sem esconder as barreiras: “Ter grande volume de recicláveis e não contar com caminhão e galpão cria dificuldades”.
Na segunda fase do projeto, o Cataforte – Logística Solidária fortalece, desde 2010, a infraestrutura de cooperativas voltadas à logística: adquiriu 140 caminhões para uso compartilhado entre as redes de cooperativas em 20 estados da Federação, mais o Distrito Federal. Tudo isso foi possível graças à parceria entre a FBB, Petrobras, Secretaria Nacional de Economia Solidária e BNDES. “Só havia urubus quando chegamos aos lixões; ninguém sabia ao certo quem trabalhava neles”, conta Marcela. “Hoje, eles têm como filosofia: trabalhar e despertar”, acrescenta. O Amazonas, por exemplo, recebeu R$ 7 milhões para o projeto do aterro controlado. De 63 bairros em Manaus, 11 têm coleta organizada. No final de 2012 o ex-prefeito de Campo Grande Nelson Trad Filho incentivou a criação da Cooperativa de Seleta Seletiva próxima à Cidade do Ônibus. Ela não prosperou.