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Comandante do exército turco é condenado à prisão perpétua

Comandante do exército turco é condenado à prisão perpétua

Redação

06/08/2013 - 02h00
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A justiça turca condenou nesta segunda-feira (5) o general aposentado Ilker Basbug e pelo menos outras duas pessoas à prisão perpétua por conspiração no julgamento de uma rede acusada de planejar um golpe de Estado contra o governo do primeiro-ministro islamita Racep Tayyip Erdogan. Basbug era comandante do Exército turco na época dos acontecimentos.

A corte também condenou três opositores a penas que variam de 12 a 35 anos de prisão. Outras 21 pessoas foram absolvidas e tiveram sua libertação ordenada.

O conhecido jornalista Mustafá Balbay, do jornal de esquerda Cunhuriyet, eleito durante sua prisão deputado pelo principal partido opositor (CHP, pró-laico), foi condenado a 35 anos de prisão.

A sentença foi de 12 anos para o ex-reitor Mehmet Haberal, que também foi eleito deputado depois de ser preso.

Basbug foi condenado junto a outros oficiais, entre eles Hursit Tolon, ex-comandante do primeiro exército, por "tentativa de derrubar a ordem constitucional pela força", indicou o tribunal.

O general Ilker Basbug, ex-comandante do Estado-Maior que dirigiu o exército turco entre 2008 e 2010, denunciou no domingo no Twitter a proibição para que seus parentes compareçam ao processo.

O tribunal de Silivri, próximo de Istambul, começou a anunciar as penas dos 275 acusados da chamada rede Ergenekon, incluindo vários generais, jornalistas, empresários e integrantes da máfia.

Dezenas de acusados estão detidos desde 2007 e são julgados desde outubro de 2008.

A oposição laica denuncia o processo como uma "caça às bruxas" com o objetivo de calar as críticas ao governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).

Entre os 275 processados, 66 estão detidos. A acusação pede duras penas contra os supostos golpistas, incluindo a prisão perpétua para 64 acusados de "tentativa de derrubar a ordem pela força".

O caso começou em junho de 2007 durante uma operação antiterrorista em um bairro humilde de Istambul, na primeira etapa de uma longa investigação que levou à redação de 23 atas de acusação sucessivas reunidas finalmente em um mesmo processo.

O processo ficou conhecido como "caso Ergenekon", nome da suposta acusada de ter propiciado um golpe de Estado contra Erdogan, no poder desde 2002, semeando o caos com atentados e operações de propaganda.

As Forças Armadas, que durante décadas se apresentaram como guardiãs dos valores laicos da República, derrubaram três governos democraticamente eleitos desde 1960 e obrigaram a um governo pró-islamita a se demitir em 1997.

Depois da explosão do "caso Ergenekon", foram realizados outros julgamentos contra grupos como Kafes (a jaula), que preparava, segundo a acusação, atentados contra membros das minorias cristãs, ou o Balyoz, que fez sentar no banco dos réus quase 300 militares.

Cerca de dez mil manifestantes antigovernamentais se reuniram diante do tribunal de Silivri, onde foram registrados confrontos com a polícia, que lançou gases lacrimogêneos para dispersá-los.

Exibindo bandeiras nacionais e retratos de Mustafá Kemal Ataturk, o pai da república laica, os manifestantes pediam o fim do fascismo e a renúncia do governo.

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