A Justiça do Estado de Jalisco, no oeste do México, ordenou hoje a libertação de Rafael Caro Quintero, 60, líder histórico do tráfico de drogas mexicano. Ele foi preso há 28 anos acusado de envolvimento na morte de Enrique Camarena, agente antidrogas dos Estados Unidos.
A morte de Camarena, sequestrado, torturado e assassinado em fevereiro de 1985, provocou na época uma grande tensão nas relações entre México e Estados Unidos e, segundo especialistas, marcou o início de uma agenda binacional contra o narcotráfico.
O chefe do tráfico foi condenado na década de 1980 por homicídio e tráfico de drogas a 199 anos de prisão, mas cumpria o limite de 40 anos de reclusão. A acusação de homicídio foi emitida por um tribunal federal, porque na época a Justiça considerou que Camarena era um representante do governo americano.
Na decisão do tribunal de Jalisco, no entanto, eles consideram o agente um cidadão americano comum, de modo que o processo deveria ter sido conduzido pela Justiça local.
Desse modo, a condenação por homicídio não tem validade e, como Caro Quintero já cumpriu a pena por tráfico, foi liberado.
Ele foi solto na madrugada de hoje, após análise da Promotoria de um pedido de extradição da Califórnia por crimes financeiros, que prescreveu.
Caro Quintero, um dos fundadores do cartel de Guadalajara, foi detido meses depois do assassinato na Costa Rica. Após sua prisão, a organização criminosa se dividiu e se transformou em novos cartéis, como o de Sinaloa, responsável pelo aumento da violência na guerra do tráfico a partir dos anos 1990.