O coronel reformado do Corpo de Bombeiros do Rio Walter da Costa Jacarandá admitiu hoje ter participado de sessões de tortura no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna), em 1970, durante a ditadura militar (1964-1985). Jacarandá prestou depoimento em uma sessão conjunta das comissões Estadual e Nacional da Verdade.
"Participei de alguns interrogatórios e certamente que houve excessos. Choque elétrico, pau de arara. É fato que aconteceu. Essa história de empalar as pessoas estou sabendo disso agora. Na maior parte das vezes, o que eu fazia era traçar os perfis dessas pessoas e passava para quem ia interrogá-los", afirmou o militar.
Jacarandá foi convocado para depor sobre tortura, desaparecimento e morte do jornalista Mário Alves. Militante do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), Alves foi preso e levado para o DOI-Codi, na sede do 1º Quartel do Exército, na Tijuca, zona norte da cidade. Outros três militares foram convocados para depor sobre o caso mas não compareceram à sessão.
Duleme Garcez (tenente e à época comandante do Pelotão de Investigações Criminais), Luiz Mário Correia Lima (tenente) e Roberto Duque Estrada (tenente) justificaram a falta através de seu advogado. Após dizer que não lembrava de quem teria participado com ele de interrogatórios, nomeou os oficiais como integrantes desses depoimentos.
"Não lembro de quem participou dos interrogatórios e de quais casos participei. O nome do senhor Mário Alves só ouvi após o fim do regime", disse.