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Especialista explica como identificar anorexia em jovens

Especialista explica como identificar anorexia em jovens

Redação

26/08/2013 - 00h00
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Na última semana, foi divulgada nas redes sociais a morte da jovem Daiane Dornellas, de 21 anos, em decorrência de uma hepatite viral. Segundo as postagens dos amigos, o quadro da gaúcha teria sido agravado por anorexia nervosa.

Pesando 48 kg em 1,65 m de altura, a jovem dizia se alimentar apenas duas vezes ao dia e enaltecia sua magreza por meio das redes sociais, o que fez dela uma “webcelebridade”.

Em uma de suas fotos no Instagram, ao mostrar sua barriga, lisa, com os ossos aparentes, ela escreveu: “Saudades gordura”.

Para o psiquiatra Renato Mancini, do hospital São Luiz, em São Paulo, pessoas que sofrem de anorexia nervosa têm a necessidade de definir-se pela aparência, anulando outros fatores como personalidade, saúde e bem-estar.

— O que define essas pessoas é uma coleção de fotos no Instagram. A percepção de identidade corpórea delas fica muito complicada e quanto mais imagem, quanto mais magra, mais o medo de não ser aceita é aliviado. Isso acontece através de uma busca, como, por exemplo, da chamada “barriga negativa”.

O pensamento comum de quem sofre anorexia é o de que quanto mais peso perder, melhor será. Segundo Mancini, o risco de morte é grande e tanto pode acontecer pela desnutrição como por complicações clínicas, a exemplo do caso de Daiane.

— O paciente que sofre de anorexia começa a ficar debilitado e a chance de morte é grande quando o peso está muito mais abaixo do que o normal. Ficam com a saúde tão frágil quanto a de um idoso. O corpo fragilizado não funciona direito e está suscetível a muitas doenças.

Identifique os sintomas
A anorexia é um distúrbio alimentar que se caracteriza como um emagrecimento exagerado, causado pela desnutrição e distorção da própria imagem corporal, conforme explica o endocrinologista João César de Castro Soares, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

— O paciente se acha acima do peso, quando, na realidade, está abaixo. O importante para identificar a doença é tentar intervir o quanto antes. Assim que o emagrecimento excessivo for percebido, procure ajuda.

O tratamento de distúrbios alimentares como a anorexia é multidisciplinar. Psiquiatras, nutricionistas, endocrinologistas e terapeutas dão o suporte adequado para diminuir os quadros associados à doença: depressão, distorção da imagem e desnutrição.

— A família deve participar. É uma doença crônica, atinge a todos. Não é fácil tratar.

Mas como identificar? Comum em mulheres, o médico explica que, atitudes como esconder o emagrecimento, tomar laxantes e induzir o vômito após a refeição são alguns sintomas da doença.

— É uma escolha da paciente. Ela esconde que está emagrecendo, coloca duas calças, duas blusas. Come na rua, não janta com os pais, recusa convites para comer fora, e quando sai, ingere muita bebida alcoólica e tem um quadro depressivo paralelo a todos esses sintomas.

O endocrinologista da Unifesp acrescenta que também é preciso ficar atento ao uso indiscriminado da internet por adolescentes entre 14 e 18 anos, faixa etária em que a doença é mais prevalente. Segundo ele, de cada 10 casos, 9 são de meninas e 1 de menino.

— Existem sites que fazem apologia à anorexia. Já internei uma menina de 12 anos, com anorexia, obcecada por emagrecer desde os nove anos e que aprendeu a maioria dos comportamentos que a levou à doença pela internet. É preciso cuidado e atenção.

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