Chique no início do século passado era andar de charrete. E, para conduzir o veículo, era preciso ser habilitado. 'Seo' Michel era. E tem prova disso: a carteira de cocheiro profissional tirada em 1956. “Dos meus 18 aos 20 anos, eu trabalhei de charreteiro pra mãe da (atriz) Glauce Rocha”, lembra-se.
O documento, expedido pela Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, conferia a Michel “a presente Carteira de Cocheiro, que o habilita a dirigir veículos de tração animal”. Bem-humorado, ele brinca: “Antes de tirar a carteira, eu via um guarda e já desviava a carroça. Aí eu falei: ‘vou tirar a carteira’. O policial só perguntou pra onde é a esquerda e pra onde é a direita. Eu respondi e já saí habilitado”.
Além de cocheiro, Michel exerceu diversas profissões. “Rocei pasto, rastelei café, trabalhei na construção civil, vendi roupa e tinha uma fábrica de doce”, lista. Deliciar as pessoas com doce foi o que mais fez durante sua vida. “Trabalhei 30 anos com doce”. A atividade fazia alegria da criançada da comunidade negra Tia Eva. Lúcia Almeida era uma delas. “Eu lembro que disputava com as outras crianças o doce que ficava no fundo do tacho do tio Michel”.