Campo Grande. Lixão no Bairro Dom Antônio Barbosa. 2006. Foi aí que começou a mudar a vida do marceneiro Jonaci Silva Moreira, 23 anos, conforme matéria especial de hoje (26), no jornal Correio do Estado. E foi, na última década, que a vida de muitos outros campo-grandenses ou moradores que escolheram a cidade para viver mudou também. Na última década, a desigualdade social caiu, a renda per capita e o número de maiores de 18 anos trabalhando aumentou. Jonaci é um exemplo do salto que a vida dos campo-grandenses teve, nos últimos 10 anos, quando o assunto é trabalho e renda. Levantamento do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013 aponta que a renda per capita em Campo Grande saltou de R$ 782,39, em 2000, para R$ 1.089,37, há três anos, quando os dados foram coletados. E na vida do marceneiro Jonaci, a mudança foi semelhante.
Hoje, com 23 anos, ele disse que começou a frequentar o lixão em busca de brinquedos. Tempos depois, percebeu que se coletasse materiais recicláveis poderia ganhar dinheiro e ajudar em casa. “Vi que dava um dinheirinho. Mas catava garrafa pet e latinha o mês inteiro e quando ia vender não dava nem R$ 100”, recorda. Em 2006, saiu do lixão para entrar no projeto Agente Jovem e lá conheceu a Escola Pau-Brasil, que ensina a meninos em situação de vulnerabilidade social o ofício de marceneiro. O curso, de três anos, foi concluído em 2010. “Aí, eu trabalhei um ano e meio como autônomo e, agora, assinaram a minha carteira. É o meu primeiro emprego na carteira de trabalho”, diz o jovem, que continua na Escola Pau-Brasil, agora como marceneiro.
Durante o curso profissionalizante, o pai morreu e, em casa, ficou só ele e o irmão mais novo. Mas, a conclusão do curso profissionalizante e o trabalho com carteira assinada, segundo Jonaci, mudaram a rotina em casa. “A nossa renda familiar melhorou bastante. Ano que vem, estou planejando mexer na casa. Com a carteira assinada, eu consigo isso”, diz o marceneiro,
De acordo com dados do Atlas do Desenvolvimento Humano, entre 2000 e 2010, a taxa de atividade da população de 18 anos ou mais (aquela considerada economicamente ativa) passou de 71,82% em 2000 para 73,75% em 2010. No mesmo período, a taxa de desocupação – população economicamente ativa que estava desocupada – passou de 13,14% em 2000, para 5,89% em 2010. A reportagem é de Patrícia Belarmino.