Com base no alerta do deputado Londres Machado para que se busque uma solução sobre as famílias dos assentamentos em Itaquiraí sem ferir a legislação, o superintendente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Celso Cestari disse que o órgão vai continuar cumprindo determinação judicial de despejo daqueles que ocupam lotes irregularmente (como aqueles que compraram do dono original, o que é proibido). Frisou, ainda, que uma das propostas é a de contemplar os jovens e os filhos das famílias de assentados com os lotes retomados, entre outras medidas que o Governo federal pretende adotar para que as ações não sejam desvirtuadas.
De acordo com Cestari - que foi chamado à Assembleia Legislativa e reuniu-se com parlamerntares, prefeitos da região do Cone-Sul e vereadores na manhã de hoje - foram detectadas muitas irregularidades nos assentados comprovadas por meio de escutas telefônicas e provas em mãos da Polícia Federal que desenvolveu a Operação Tellus, em agosto de 2010. “O que se ouve nas escutas é algo de estarrecedor”, disse ele.
Segundo Cestari, o que se tem como provas mostra um descalabro no que se relaciona ao comércio das terras. "Há casos em que a comemoração das vendas era com churrasco à beira de piscina aquecida", exemplificou.
Cestari também frisou que a desocupação das famílias - até ontem foram feitos 20 despejos de 50 - com auxílio de força policial não se restringe apenas à essa situação específica.
Afirmou que existem “outras coisas” que necessitam da presença das forças policiais. Citou, como exemplo, o recente confronto entre integrantes de quadrilha de roubo de veículos que foram mortos. Os marginais tinham como local de parada um dos assentamentos.
O presidente da Comissão de Desenvolvimento Agrário e Assuntos Indígenas e Comissão de Agricultura Pecuária e Política Rural, Márcio Fernandes (PTdoB) conduziu a reunião realizada no gabinete da presidência da Assembleia Legislativa.