O governo britânico sinalizou hoje que descarta pedir uma nova votação no parlamento sobre uma ação militar na Síria mesmo com novas evidências do uso de armas químicas no país.
O chanceler britânico, William Hague, e o ministro de Finanças, George Osborne, disseram que a posição de não participar de uma intervenção deve ser mantida.
Hoje, o secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou que as provas recolhidas após o ataque de 21 de agosto nas proximidades de Damasco e analisadas pelos Estados Unidos deram resultado positivo para o uso do gás sarin. Além disso, espera-se ainda para os próximos dias o relatório dos inspetores da ONU sobre o caso.
Para George Osborne, entretanto, a votação do parlamento na última quinta-feira, contrária a uma ação militar na Síria, deve ser definitiva.
Em entrevista exclusiva à BBC, ele afirmou que não acredita que o premiê David Cameron reconvocará o parlamento para debater novamente o tema. "O parlamento já se pronunciou", disse. "Eu entendo o argumento deles, mas não concordo. Eu não sinto, francamente, que mais evidências, relatos da ONU, em uma outra semana, os teriam convencido disso", afirmou.
Na mesma linha seguiu o chanceler William Hague, em entrevista à rádio da BBC. "Eu não acho que qualquer assunto com a mesma proposição possa voltar ao parlamento em poucos dias ou semanas. Nossa proposta já incluía a espera dos inspetores da ONU", disse.
Na última quinta-feira, o Parlamento britânico rejeitou uma proposta do primeiro-ministro conservador David Cameron que abriria caminho para o Reino Unido participar de uma ação militar na Síria. O texto foi derrubado por 285 votos a 272, na maior derrota do premiê desde que tomou posse, em 2010.
Cameron, que saiu politicamente humilhado da votação, disse aceitar o resultado e prometeu não usar a chamada prerrogativa real, que permitiria uma ação sem o aval dos parlamentares. "Ficou claro para mim que o Parlamento, refletindo as visões da população, não quer ver uma ação militar britânica. O governo vai agir de acordo", afirmou.