Sete municípios de Mato Grosso do Sul não são local de residência fixa dos médicos que trabalham neles, segundo dados do Conselho Regional de Medicina (CRM/MS). É o que mostra reportagem na edição de hoje do jornal Correio do Estado.
A reportagem informa que Bandeirantes, a 68 km de Campo Grande, é uma delas. Com uma população de 6.747 moradores ( segundo o IBGE), a cidade tem oito médicos, mas nenhum mora lá. Dois são de Camapuã e o restante vive em Campo Grande. “É um problema, porque na hora que quiserem eles podem largar o emprego aqui”, disse o secretário de saúde municipal, Gilvan Gonçalves de Lima.
Um desses médicos é o plantonista do Hospital Municipal João Carneiro de Mendonça, Manoel Roberto Abrão. Há seis meses ele cumpre regularmente os plantões de 12 horas na cidade e conta que não vê problema em se deslocar aqui da capital para Bandeirantes, que fica a 68 Km. “Não me importo, a estrada é tranquila. São 40 minutos de lá até aqui, então saio uma hora antes e chego com folga”, comenta.
Para ele, a grande dificuldade em trabalhar em uma cidade do interior e de pequeno porte é a falta de condições adequadas, como dificuldade na disponibilização de aparelhos e exames. Para se ter uma ideia, ele citou um caso de um produtor rural da cidade que chegou ao hospital com um quadro de cianose - arroxeamento - do pescoço e da cabeça. “É um paciente que já tem ponte safena e histórico de problemas do coração. Então, a primeira coisa que se pensa é que é algo relacionado. Mas não temos como fazer um eletrocardiograma, que ia tirar qualquer dúvida”. O paciente acabou transferido para Campo Grande. A matéria é assinada por Lúcia Morel.