O prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), declarou guerra à Câmara Municipal mobilizando funcionários públicos, assessores e moradores de três bairros para invadirem e tumultuarem a sessão de ontem. Eles foram protestar contra a abertura de Comissão Processante para julgar pedido de cassação do mandato do prefeito. A reportagem está na edição desta quarta-feira (11) do jornal Correio do Estado.
Três ônibus foram locados para levarem famílias dos bairros ao Legislativo com a promessa de receber casas. Na entrada do plenário, receberam cartazes em defesa do mandato de Bernal.
A estratégia fracassou porque o vereador Delei Pinheiro (PSD) disse aos moradores dos bairros Cidade de Deus, Dom Antônio Barbosa e Mundo Novo que “usados como massa de manobra” e sugeriu para cobrarem as casas na prefeitura. Eles se retiraram do plenário. Mas os assessores do prefeito continuaram no plenário para tumultuarem a sessão e ameaçarem os vereadores da oposição.
Segundo a catadora de lixo que mora na Cidade de Deus II, Adriele de Souza Silva, 21, um assessor do prefeito distribuiu cartazes e faixas pró-Bernal com os dizereres “Bernal, você me representa”, “Quem elegeu o prefeito, foi o povo, respeite”, “Deixa o homem trabalhar”, para protestarem contra os vereadores da oposição em troca de “agilidade” na entrega das casas.
Agressão de irmãs de secretário
As duas irmãs do secretário municipal de Cultura, Júlio Cabral, Tainara e Samara Cabral, agrediram a repórter do Correio do Estado, Tavane Ferraresi, após declaração do vereador Paulo Pedra (PDT), em anunciar que as irmãs do dirigente estavam presentes no manifesto. “Sejam bem-vindas, ‘cabraizinhas’”, ironizou o vereador.
Com a declaração, os jornalistas foram entrevistar as irmãs. Foi então, que uma delas puxou o crachá da repórter, tentando intimida-la e aos gritos “mandou” a jornalista sair do local.
Com a situação, a vereadora Carla Stephanini (PMDB), usou a tribuna para defender a imprensa que acompanhava a sessão. No entanto, minutos antes, a vereadora da base do prefeito Alcides Bernal (PP), Luiza Ribeiro (PPS) defendeu as agressoras.