Em clima de distribuição de verbas para os museus em cidades perto das sedes da Copa do Mundo, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, foi recebida com protesto pacífico de funcionários do Museu Imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Cercada por cerca de 40 funcionários na entrada principal do museu, a ministra ouviu em silêncio as reinvindicações, encabeçadas pelo pedido de um plano de cargos e salários.
Segundo a historiadora do museu, Maria Inês Turazzi, há 20 anos os funcionários esperam pelo plano de cargos e salários.
"Entra ministro, sai ministro, e nada do plano", afirmou. Além de poucos funcionários --40 próprios e 70 terceirizados--, os empregados reclamam dos baixos salários e a falta de condições de trabalho.
"São apenas dois funcionários para cuidar de mais de 250 mil documentos", disse a historiadora.
Marta ouviu as reclamações calada e ao final, sem dizer uma palavra, deu prosseguimento à visita ao acervo do museu.
Mais tarde, durante coletiva com a imprensa, não respondeu ao ser perguntada sobre a situação dos funcionários, alegando pressa para outro compromisso.
Após insistência da reportagem, Marta disse que o plano de cargos e salários não dependia dela.
"Nós sabemos do problema, é antigo, mas nós estamos numa situação que nós não temos todas as rédeas", disse sem dar detalhes e entrando em seguida no carro da sua comitiva.
Marta foi ao museu selar a doação da Petrobras, de R$ 5 milhões, que serão usados para revitalizar a exposição de longa duração do museu e anexos das carruagens, auditório, biblioteca e arquivo histórico.
Ao todo, a Petrobras está doando R$ 20 milhões para 12 museus brasileiros em cidades sede da Copa ou próximas.
A presidente da Petrobras, Graça Foster, também era aguardada no evento, mas não compareceu devido ao mau tempo, que impediria o pouso do helicóptero que a traria do Rio a Petrópolis, cidade a cerca de 100 km da capital carioca.