O prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), priorizou instalar placas publicitárias com a sua logomarca em obras que começaram na gestão municipal passada, inclusive em algumas construções que estão paradas desde o começo do ano. Para a população, a iniciativa do prefeito é uma forma de “assinar” benfeitorias alheias, que sequer tiveram recursos obtidos na sua gestão. Os serviços de revitalização da Avenida Júlio de Castilhos, por exemplo, estão em andamento desde agosto de 2011. Apesar de atrasada e sem previsão de entrega, a milionária obra, avaliada em R$ 18 milhões, já recebeu uma enorme placa com a assinatura da atual gestão municipal. O detalhe é que do total do valor investido, apenas 5% são recursos próprios do município. A maior parte, 95%, são de recursos federais viabilizados pelo programa Pró-Transporte, do Ministério das Cidades, conforme matéria de hoje (7) do jornal Correio do Estado.
Em meio a essa exposição publicitária, quem sofre com a situação são, principalmente, os comerciantes e os moradores locais. Pois, são obrigados a conviver diariamente com a obra ainda “meia-boca”. Mesmo assim, com os serviços inacabados, as duas pistas da avenida foram liberadas para o trânsito. E com a falta de semáforos e sinalização, tornou-se comum o registro de acidentes em alguns trechos ao longo da via. No Centro de Belas Artes, no Bairro Cabreúva, a situação não é diferente. Para quem está acostumado a passar pela obra parada, ficou bem visível a placa com a logomarca do prefeito. Só na primeira etapa, os serviços estão avaliados em R$ 5 milhões. Porém, não há previsão de entrega do Centro de Artes.
Isso porque, segundo a reportagem de Rafael Bueno, o município também não executa a obra com recursos próprios, e depende de liberações de recursos federais, por meio do Ministério do Turismo. Para o auxiliar de escritório, Fabiano Gonçalves, de 26 anos, ao invés de se preocupar com placas publicitárias, a atual gestão deveria entregar e idealizar novas melhorias para a população . “Estão faltando muitas benfeitorias na cidade. A saúde está um problema, precisamos de mais postos nos bairros”, criticou.