Com o objetivo de ingressar na segurança pública de Mato Grosso do Sul, os irmãos gêmeos Thiago Feliciano Rodrigues e Diogo Feliciano Rodrigues, de 27 anos, contrataram o professor de ensino fundamental Waldemir Ribeiro Acosta, 35 anos para passar a eles os gabaritos das provas do concurso de investigador da Polícia Civil, realizadas hoje (20). Os três foram presos. Segundo a delegada Ariene Nazareth Murad de Souza Cury, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações (Dedfaz), a fraude foi descoberta já no concurso para soldado da Polícia Militar, realizado no domingo passado (13). “O Thiago foi flagrado com a carcaça de um telefone celular, sem a capa protetora da bateria, acoplado ao braço, por baixo da camisa e foi eliminado do concurso e o telefone apreendido”, declarou.
Depois da eliminação do candidato, uma mensagem de texto com o gabarito da prova de soldado chegou no celular, estopim para a instauração de um inquérito policial contra o acusado e seu comparsa, até então desconhecido. “Iniciamos as investigações e cruzando dados verificamos que Thiago e o irmão gêmeo Diogo estavam inscritos também no concurso da Polícia Civil”, explicou a delegada. Hoje os irmãos foram flagrados durante as provas, pela Polícia Civil novamente com telefones celulares, o que é proibido. “Os dois foram presos e autuados em flagrante. Durante o interrogatório os gêmeos confessaram que contrataram por R$ 500 o professor Waldemir para realizar as provas nas duas primeiras horas, saindo da sala com o caderno de provas, para passar aos acusados o gabarito com todas as respostas”.
Os irmãos foram detidos na Uniderp da avenida Ceará e o professor, em casa, no Bairro Vila Progresso. Dos três presos apenas Thiago tinha passagem na polícia por lesão corporal dolosa. A lei prevê fiança para o crime de utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou comprometer a credibilidade do certame conteúdo sigiloso de concurso público. A delegada Ariene arbitrou a cada um dos acusados o valor de 5 salários mínimos, para que possam responder ao processo em liberdade. Até o momento nenhum deles recolheu o valor. De acordo com Ariene, a tentativa de fraude não prejudica o concurso, já que foi descoberta antes e as providências legais foram tomadas, com a prisão dos acusados.