A construtora MRV oficializou junto ao Procon-MS proposta de indenização aos consumidores pelo tempo de atraso na entrega dos apartamentos, mas clientes ouvidos pelo Correio do Estado reclamam que a oferta de multa é insuficiente - 0,5% sobre o valor do imóvel em contrato, pago mensalmente e retroativo ao período de atraso. Eles afirmam que os valores não cobrem os prejuízos e por isso vão manter as ações judiciais.
“O valor não cobre os aluguéis e a taxa de evolução de obra que a maioria continua pagando enquanto espera a entrega dos apartamentos, fora os outros prejuízos. Que restituição é essa? Eu pretendo ainda entrar na Justiça”, questiona o síndico do residencial Spazio Classique, no bairro São Francisco, Mário Rosa. Ele diz que vários moradores já afirmaram que não vão aceitar a proposta.
“Se eu tenho que pagar 2% de juros por atrasar uma parcela para eles, porque vão me pagar só 0,5% por atrasarem a obra? Eu não pretendo retirar minha ação da Justiça”, afirma o consumidor do residencial Ciudad de Vigo, Anderson Nunes.
A reunião com a superintendência do órgão e a diretoria da MRV aconteceu na terça-feira (22). Com base no tempo retroativo de atraso da maioria dos apartamentos, a construtora calculou que cada cliente do Spazio deverá receber a média de R$ 4 mil e do Ciudad de Vigo cerca de R$ 2 mil. Ao todo deve desembolsar mais de R$ 3 milhões.
Ao todo, são 1.152 consumidores dos dois residenciais da construtora. Em alguns casos, o atraso chega a três anos.
Procon
Na tarde de ontem, o superintendente do Procon-MS, Alexandre Rezende, reuniu-se com alguns consumidores para tratar sobre o assunto. “Primeira coisa que tem que ficar claro é que não se trata de acordo, mas sim de proposta que o consumidor pode ou não aceitar”, enfatizou Rezende.
Ele informou ainda que o Procon adotará horário especial para atender mutuários da MRV. Amanhã, o superintendente realiza nova reunião, dessa vez com representantes da Caixa Econômica Federal.
MRV
Em nota, enviada ao Correio do Estado, a MRV adiantou que deverá manter a mesma proposta, feita extrajudicialmente, para as ações que estão na Justiça. Também afirmou que as entregas dos imóveis serão concluídas no próximo mês. A empresa ainda alega que não tem como estimar o montante total das restituições, pois os valores variam conforme o caso.