A imprensa estrangeira noticiou com destaque o anúncio do governo brasileiro ontem pela aquisição de caças Gripen NG, da sueca Saab, para a FAB (Força Aérea Brasileira).
Os principais jornais suecos destacaram a decisão do Brasil em seus sites. Com uma imagem de Dilma Rousseff, o diário "Aftonbladet" aponta que o acordo com a empresa local Saab foi fechado após os recentes casos de espionagem da NSA prejudicarem negociação com a americana Boeing. Já o "Dagens Nyheter" publicou que os aviões Gripen poderão ser montados no exterior, ressaltando o processo de transferência de tecnologia previsto no programa brasileiro.
Os jornais franceses, por outro lado, mostravam o desapontamento do país com a escolha de Dilma. O "Libération" trazia a imagem de um caça em queda ilustrando a manchete "Brasil rejeita o Rafale". Na mesma linha, o "Le Monde" indicava que Brasil desistiu da compra do avião francês.
O processo de compra dos caças já se arrastava desde 2001, no final do governo Fernando Henrique Cardoso. Os três concorrentes eram o Rafale, da França, Boeing F/A-18 dos Estados Unidos, e Gripen NG da Suécia.
O final para a disputa foi considerado surpreendente. Contra o Rafale sempre pesou a questão do preço: seu pacote inicial chegava a US$ 8 bilhões, embora descontos tenham sido negociados.
No governo Dilma Rousseff, os americanos e seu Boeing F/A-18 passaram à dianteira por causa de sua oferta comercial mais atraente, de declarados US$ 7,5 bilhões mas com diversas compensações. A Boeing chegou a associar-se para vender o novo cargueiro da Embraer, o KC-390.
Só que o escândalo da espionagem da Agência Nacional de Segurança americana, que incluiu Dilma no rol das autoridades alvo de arapongagem, derrubou politicamente o F-18.
Com isso, o pequeno Gripen, avião criticado por ser menor do que os concorrentes e menos testado em combate, voltou à condição de favorito que a própria FAB havia declarado em seu primeiro relatório sobre a escolha, em dezembro de 2009. O pacote de 36 aviões foi oferecido por US$ 6 bilhões, mas a compra pode acabar em torno de US$ 4,5 bilhões.
Segundo Amorim, a escolha dos suecos levou em conta a performance, a transferência efetiva de tecnologia e o custo. A aquisição das aeronaves, contudo, não é imediata. O cronograma prevê entregas de aviões até 2023.