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MPF no Amazonas pede retirada de posts na web que incitam a violência contra índios

MPF no Amazonas pede retirada de posts na web que incitam a violência contra índios

Redação

28/12/2013 - 11h45
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O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) recomendou a retirada de publicações já feitas e a abstenção de novas mensagens no Facebook, portais de notícias e outros veículos de imprensa da região dos municípios de Humaitá, Manicoré e Apuí, no sul do Amazonas, que contenham informações com conteúdo discriminatório, preconceituoso ou que incitem a violência, o ódio e o racismo contra os povos indígenas da região, em especial o povo Tenharim. De acordo com o documento, os autores devem retirar todo o conteúdo já publicado em 24 horas.

Sedes e bens de órgãos públicos federais ligados aos povos indígenas foram depredados por manifestantes nos últimos dias, que seguem divulgando mensagens de cunho preconceituoso e racista, segundo o MPF.

No documento, o MPF pede ainda aos organizadores e subscritores do manifesto de moradores de Santo Antônio do Matupi, distrito do município de Manicoré, que retirem o material de circulação e não promovam novas manifestações preconceituosas e discriminatórias contra o povo indígena Tenharim. No texto do manifesto, há quatro reivindicações, dentre elas a de que os subscritores não querem mais nenhuma etnia indígena estudando nas escolas da comunidade e a solicitação de afastamento das aldeias da margem da rodovia Transamazônica "para que não haja mais contato com a comunidade".

Desde o último dia 25 de dezembro, a cidade de Humaitá vive dias de instabilidade por conta de protestos violentos que já resultaram na depredação de prédios e bens públicos de órgãos e autarquias federais relacionados a políticas públicas voltadas aos povos indígenas, além de ameaças a um grupo de indígenas que estava na cidade para tratamento de saúde. Os manifestos estariam relacionados ao suposto desaparecimento de três pessoas na área da terra indígena Tenharim Marmelos, cortada pela rodovia Transamazônica (BR-230).

Na recomendação, o MPF-AM destaca que praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou nacionalidade é crime pela legislação brasileira e pode ser punido com prisão de um a três anos. Caso sejam utilizados meios de comunicação ou quaisquer outros tipos de publicação para difundir mensagens de ódio, a pena pode chegar a cinco anos. Como parte do inquérito já instaurado pela Polícia Federal para investigar o caso, o MPF-AM vai solicitar que seja investigada também a prática de incitação à violência contra os indígenas.

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