Cidades

VIOLÊNCIA

Mais de 23 mil pessoas fugiram do Sudão do Sul para Uganda, diz ONU

Mais de 23 mil pessoas fugiram do Sudão do Sul para Uganda, diz ONU

Redação

07/01/2014 - 23h00
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 Mais de 23,5 mil pessoas fugiram da violência no Sudão do Sul para Uganda desde o início dos combates entre forças de segurança do governo e milícias da oposição, informou hoje (7) a Organização das Nações Unidas (ONU). Esse fluxo de pessoas intensificou-se nos últimos dias e até 2,5 mil pessoas por dia chegaram a cruzar a fronteira. De acordo com a porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), Melissa Fleming, a quantidade de pessoas em fuga dificulta a tarefa das agências das Nações Unidas para atender todos os deslocados.

As equipes do Acnur e parceiros estão tentando garantir abastecimento de água e saneamento básico nos postos fronteiriços e nos centros de acolhimento de refugiados em Arua e Adjumani, ambas cidades no Noroeste de Uganda. O êxodo de sul-sudaneses pode agravar a situação dos refugiados em Uganda, onde também estão chegando cada vez mais pessoas da República Democrática do Congo (RDC). Nas últimas semanas, as autoridades ugandesas registraram 8 mil novos refugiados.

Embora em número mais reduzido, os sul-sudaneses também estão fugindo para a Etiópia e o Quênia, que receberam 5,3 mil e 3,2 mil pessoas desde o início do conflito, respectivamente. Segundo Melissa Fleming, o fluxo deve ser ainda mais elevado devido às dificuldades de acesso em algumas zonas do país e em áreas fronteiriças.

As agências da ONU estão prestando ajuda humanitária a cerca de 230 mil deslocados internos, que vivem em dez campos distribuídos por todo o país. Outros 57 mil civis estão em bases das Nações Unidas em Uganda. Ontem (6), o Acnur fretou um avião entre as capitais do Quênia e do Sudão do Sul, Nairobi e Juba, com ajuda humanitária que incluía 12,5 mil mantas, 2,5 mil conjuntos de cozinha e 4 mil lonas de plástico para cerca de 20 mil pessoas na capital do Sudão do Sul. Em Maban, no Noroeste do país, as agências humanitárias estão prestando ajuda a 120 mil pessoas em quatro campos, com assistência médica, água potável e rações de comida distribuídas para os próximos 45 dias.

De acordo com o relatório Mid-Year Trends 2013 (em tradução livre, Tendências do Primeiro Semestre) do Acnur, conflitos e perseguições foram os responsáveis pelo aumento da quantidade de refugiados e de deslocados internos nos primeiros seis meses de 2013. No total, 5,9 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas no primeiro semestre do ano passado.

Os confrontos no Sudão do Sul se intensificaram no último mês, especialmente depois de uma tentativa frustrada de golpe de Estado. O conflito opõe forças leais ao presidente Salva Kiir e as do ex-vice-presidente Riek Machar, destituído em julho. Os líderes fazem parte de etnias diferentes, o que desencadeou ações violentas de caráter étnico e pelo domínio de áreas ricas em petróleo - que representam 95% da economia sul-sudanesa.

No final de dezembro, a ONU enviou reforços de soldados de missão de paz ao país para auxiliar na resposta a necessidades humanitárias. Nesta semana, representantes do governo e da oposição se reúnem na Etiópia na tentativa de negociar um cessar-fogo.

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