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Renan abre guerra contra Delcídio e os 2 trocam acusações

Renan abre guerra contra Delcídio e os 2 trocam acusações

Redação

21/03/2014 - 00h00
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Os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Renan Calheiros (PMDB-AL) trocaram ontem (20) acusações relacionadas à indicação de Nestor Ceveró para a diretoria internacional da Petrobras. Quando ocupou o cargo, Ceveró foi responsável pelo resumo executivo que embasou a decisão da compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela estatal, em 2006.

Depois de Delcídio ter atribuído ao PMDB a indicação do ex-diretor, o presidente do Senado responsabilizou o petista pela escolha de Ceveró. "O Delcídio tem que ficar despreocupado porque certamente o Delcídio não indicou o Ceveró para o Ceveró roubar a Petrobras. Ele deve ficar tranquilo, o Delcídio", ironizou Renan.

O presidente do Senado se recusou a responder se teria indicado o ex-diretor da estatal. Renan disse que Delcídio deveria pedir a saída de Ceveró de seu cargo atual, que é diretor financeiro da BR Distribuidora. "Ele ter ficado na Petrobras é imperdoável. Ele [Delcídio] tem que pedir a saída do Ceveró", afirmou.

Delcídio era diretor de Gás e Energia da Petrobras na época da compra da refinaria. O senador ainda não retornou as ligações da reportagem para comentar a acusação de Renan.
A indicação de Ceveró provocou a troca de farpas entre os senadores depois que a presidente Dilma Rousseff responsabilizou um parecer "falho" elaborado pelo ex-diretor que teria baseado o seu aval à compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras.

Dilma dá explicações

Em nota, Dilma confirmou que presidia o Conselho de Administração da Petrobras na época da compra da refinaria, mas que autorizou o negócio porque tinha informações "incompletas" presentes no parecer.

Ex-diretores da estatal negam a versão da presidente. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada hoje mostra que, segundo dois executivos da estatal ouvidos pelo jornal, Dilma e todos os membros do conselho tinham à sua disposição o processo completo da proposta de compra da refinaria em Pasadena.

Na documentação integral constavam, segundo os relatos, cláusulas do contrato que a petista diz que, se fossem conhecidas à época, "seguramente não seriam aprovadas pelo conselho" da estatal.

Reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" trouxe anteontem a informação de que Dilma, na época presidente do Conselho de Administração da Petrobras, votou a favor da compra de 50% da refinaria em 2006, pelo valor total de US$ 360 milhões.

Investigação

A compra da refinaria é investigada pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público do Rio e pela Polícia Federal. A principal polêmica é o preço do negócio: o valor que a Petrobras pagou em 2006 à Astra Oil para a compra de 50% da refinaria é oito vezes maior do que a empresa belga havia pago, no ano anterior, pela unidade inteira.

Além disso, a Petrobras ainda teve de gastar mais US$ 820,5 milhões no negócio, pois foi obrigada a comprar os outros 50% da refinaria. Isso porque a estatal e a Astra Oil se desentenderam e entraram em litígio. Havia uma cláusula no contrato, chamada de "Put Option", estabelecendo que, em caso de desacordo entre sócios, um deveria comprar a parte do outro.

CPI

Renan voltou a descartar ontem a instalação de CPI (comissão parlamentar de inquérito), no Senado, para investigar a Petrobras. O senador disse que, como Ministério Público, Tribunal de Contas da União e Polícia Federal já apuram a compra da refinaria, a "investigação política" do Congresso não se faz necessária.

"A investigação política só tem sentido quando os fatos não estão sendo apurados. Quando os fatos estão sendo apurados normalmente, não há sentido fazer investigação política", afirmou.

Na próxima terça-feira, os partidos de oposição vão se reunir para apresentar os pedidos de criação da CPI na Câmara. São necessárias assinaturas 171 deputados para que a comissão de inquérito seja instalada e 27 senadores, caso ela seja mista (com Câmara e Senado).

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável adversário de Dilma nas eleições de outubro, disse que governo e Petrobras terão condições de esclarecer a compra da refinaria na comissão. "Isso permite que a própria presidente tenha a oportunidade de explicar as razoes pelas quais ela tomou essa decisão e, mais que isso, porque omitiu dos brasileiros nos últimos seis anos ter tomado a decisão que tomou." 

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