
O uso e o comércio de drogas voltou a ocorrer descaradamente, inclusive, à luz do dia, em duas comunidades que foram “pacificadas” há pouco mais de dois anos, em megaoperação da Polícia Militar em Campo Grande: a Vila Nhá-nhá e o Bairro Tiradentes. A reportagem está na edição deste domingo do jornal Correio do Estado.
A publicação mostra que, no bairro Tiradentes, a ação de “pacificação” aconteceu em 13 de dezembro de 2011. Na época, a comunidade comemorou a ação policial e as pessoas voltaram a circular pelas ruas sem medo de assaltos ou delitos criminosos. “A paz ficou por mais de um ano após a ocupação, pelo menos aparentemente estava tudo tranquilo. Agora voltou tudo de novo”, lamentou uma moradora de 50 anos. Os moradores pediram para não terem a identidade divulgada.
Segundo ela, adolescentes e jovens em atitudes suspeitas voltaram a se agrupar nas esquinas, para vender drogas. A reportagem foi ao bairro confirmar a denúncia e, tão logo chegou, percebeu a movimentação estranha.
Uma trabalhadora de serviços gerais, de 51 anos, que também pediu sigilo, por medo de represálias, contou que o problema é pior à noite. Temendo ser surpreendida com assalto, ela mantém a sua casa 24 horas com cadeado, no portão. “Você não faz ideia do tanto de usuários que ficam na rua, de noite”, revelou.
O Comando da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, por meio da assessoria de imprensa, informou que depois da operação denominada pacificação realizou inúmeras outras, preventivas e comunitárias, além de rondas e fiscalizações constantes, nesses bairros e em toda a Capital.
Num trecho do comunicado, a corporação teceu duras críticas à legislação brasileira, note:
“As leis que punem o tráfico de drogas e tantos outros crimes desencadeados a partir dele, como o roubo, o furto e os crimes contra a vida, precisam ter penas duras e os criminosos precisam verdadeiramente pagar pelos atos praticados, permanecendo encarcerados durante o tempo de suas condenações. Todo o sistema de segurança sofre muito com a fragilidade da legislação penal brasileira e a sociedade ainda mais, pois o que fica é uma forte sensação de impunidade, que é muito ruim e prejudicial, porque aquele que é preso hoje cometendo crimes graves, não demora muito e já está novamente nas ruas reincidindo no mesmo ato”.
A matéria é assinada por Rafael Bueno.