O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, propôs nesta quarta-feira (28) a criação de um fundo de 5 bilhões de dólares para lutar contra o terrorismo, durante um discurso na academia militar de West Point, no estado de Nova York.
"Hoje, peço ao Congresso que defenda (a proposta) de um novo fundo contra o terrorismo que chegue a US$ 5 bilhões, que nos permitirá treinar e facilitar o trabalho dos países parceiros na linha de frente", ressaltou.
"Esses recursos nos darão a flexibilidade necessária para cumprir com as diferentes missões, incluindo o treinamento das forças de segurança no Iêmen, que passarão à ofensiva contra a Al-Qaeda, o apoio a uma força multinacional para manter a paz na Somália, o trabalho com os aliados europeus para treinar forças de segurança eficazes e patrulhar as fronteiras na Líbia, e incluindo ajudar nas operações militares francesas no Mali", explicou Obama.
Neste contexto, o presidente advertiu para o risco de entrar em conflitos de forma "precipitada", insistindo que nem todos os problemas devem, necessariamente, ser solucionados por meios militares.
"Desde a Segunda Guerra Mundial, alguns dos erros que mais nos custaram vieram da nossa vontade de nos precipitar em aventuras militares sem pensar em todas as consequências", declarou.
'Espinha dorsal'
A política externa de Obama, que foi considerada um de seus pontos fortes, agora é criticada por aqueles que acreditam que parece fraca diante dos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping.
Seus opositores afirmam que deveria ter enviado tropas americanas à Síria, ter respondido com maior contundência à anexação russa de parte da Ucrânia, ou o criticam por ter deixado o Iraque e o Afeganistão se defenderem por conta própria.
"Os Estados Unidos devem mostrar o caminho no cenário internacional. Se não fizermos isso, ninguém o fará. O Exército (...) é, e sempre será, a espinha dorsal desta liderança", indicou o presidente aos cadetes.
Mas "uma intervenção militar americana não pode ser o único ou o primeiro componente de nossa liderança em qualquer circunstância", advertiu.
Obama chamou a atenção para os elevados custos, tanto financeiros quanto humanos, associados às aventuras militares, ressaltando que não é indiferente às mortes de soldados durante seu governo.
Por fim, Obama prometeu aumentar o apoio americano à oposição síria que combate o regime do presidente Bashar al-Assad e contra extremistas islâmicos.
"Quero trabalhar com o Congresso para aumentar nosso apoio aqueles, da oposição síria, que oferecem a melhor alternativa aos terroristas e a um ditador brutal", declarou. "Como presidente, tomei a decisão de não enviar tropas americanas a esta guerra civil, e acredito que é a decisão correta", acrescentou.
Na mesma ocasião, Obama também advertiu que seu país está disposto a responder à qualquer agressão da China, mas destacou que Washington deve dar o exemplo ratificando um tratado-chave.
Ele afirmou ainda que os Estados Unidos devem evitar o isolacionismo e que os militares devem estar preparados para as crises.
"As agressões regionais que não são enfrentadas - seja na Ucrânia ou no Mar da China, ou em qualquer parte do mundo -, terá impacto em nossos aliados e poderá envolver nossas forças militares", admitiu.
Obama insistiu, no entanto, na necessidade de precaução em qualquer decisão de uso da força. "A influência americana sempre é mais forte quando lidera com o exemplo", disse.