O acesso ao uso de aparelhos celulares que presidiários do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima de Campo Grande têm dentro das celas, para comandar crimes do lado de fora, pode estar sendo facilitado por servidores da própria segurança pública do Estado de Mato Grosso do Sul. A situação ficou evidenciada anteontem, quando um agente penitenciário foi detido depois de imagens de monitoramento (do circuito interno), mostrarem o momento em que ele fazia suposta entrega de encomenda de celulares, chips, carregadores, e outros acessórios, a um dos detentos, conforme matéria de hoje (25) no jornal Correio do Estado. O flagrante contraria o que a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) vinha afirmando: que os telefones chegariam aos presos, arremessados por terceiros, sobre o muro da unidade prisional.
Conforme ocorrência registrada na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro, por volta das 10h30min de segunda-feira, um agente assumia o plantão quando viu um dos presos carregando uma sacola de cor branca. Ao revistá-la, o servidor encontrou cinco telefones, 100 chips, carregadores, fones de ouvido e antenas que permitem driblar bloqueadores de sinal instalados no início do ano. O caso foi levado à direção da unidade prisional, que decidiu verificar as gravações de imagens capturadas pelo sistema de monitoramento, a fim de descobrir como os objetos chegaram ao custodiado. Na observação constatou-se que a entrega havia sido feita por um dos agentes, no corredor de acesso aos pavilhões de celas.
O servidor público foi detido e encaminhado, juntamente com o preso que recebeu a encomenda, à delegacia. Em depoimento, ele defendeu que acreditava estar entregando roupas e linhas utilizadas para confeccionar redes, materiais esses que teriam sido deixados por familiares na portaria e já teria sido revistados. Também argumentou que, a caminho do pavilhão, o preso possa ter pego os aparelhos com outros presidiários. Já o custodiado, contradisse a afirmação do segurança e confessou ter recebido das mãos dele os objetos, cuja entrada é proibida no estabelecimento penal. A reportagem é de Laura Holsback.