Policiais da 18ª DP (Praça da Bandeira), no Rio, que investigam a atuação de uma quadrilha internacional de cambistas durante a Copa do Mundo no Brasil, instauraram um inquérito de favorecimento pessoal para investigar a conduta de Fernando Fernandes, advogado do inglês Raymond Whelan.
Whelan, que está foragido, é diretor-executivo da Match Services, empresa credenciada pela Fifa para a venda de pacotes de luxo, como os de hospitalidade.
Ele é apontado pela polícia como facilitador de obtenção de ingressos pelo franco-argelino Mohamed Lamine Fofana, que seria um dos principais cambistas da quadrilha e está preso preventivamente, assim como outros 10 suspeitos.
A prisão preventiva de Whelan foi decretada na última quinta-feira (10), mas o executivo não se encontrava mais no Hotel Copacabana Palace quando os policiais chegaram.
Através da análise das câmeras de segurança, os policiais acreditam que sua saída do hotel tenha sido facilitada por um funcionário e pelo advogado Fernandes.
Segundo os investigadores, o hotel já recebeu o comunicado formal para que o funcionário, que integra a segurança, seja conduzido na próxima segunda-feira (14) para depor.
Os investigadores ainda não possuem a identificação dele, mas representantes do Copacabana Palace teriam se comprometido a levá-lo à delegacia.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do hotel afirmou que o estabelecimento não havia sido procurado pela polícia até a noite deste sábado (12).
Já Fernandes, segundo a polícia, recebeu a intimação para depor. O advogado afirmou, por meio de sua assessoria, que assim que soube da abertura de inquérito para investigar sua suposta participação na fuga de Whelan do hotel Copacabana Palace, comunicou o fato à Comissão Nacional de Defesa do Direito de Defesa, da OAB, e levou o assunto à presidência e à Comissão de Prerrogativa da OAB-RJ.
Segundo Fernandes, ele e Whelan não sabiam da ordem de prisão quando o inglês saiu do hotel.
O advogado afirma ter agido dentro de suas prerrogativas e disse que, uma vez intimado a prestar depoimento, tem o dever legal de não prestar nenhuma informação a respeito de Whelan.
Negociação
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o promotor responsável por solicitar as prisões à Justiça, Marcos Kac, está em negociação com Fernandes para que Whelan se entregue.
Kac não foi encontrado pela reportagem para falar sobre a negociação.
Já Fernandes negou, também por meio de sua assessoria, que tivesse um encontro agendado com o promotor para tratar da apresentação de seu cliente.
Segundo o advogado, não há nenhuma negociação em curso para que Whelan se entregue à polícia para cumprir o mandado de prisão preventiva decretado contra ele.