Neste domingo (10), Campo Grande sedia um evento curioso, mas bastante popular entre os apaixonados por aves. Acontecerá a abertura do Campeonato Nacional de Canto de Curiós e Bicudos. A competição está marcada para começar às 7h e terminar às 13h, no Ginásio Moreninho, com entrada gratuita e participação de mais de 500 pássaros, de criadores de todo o Brasil.
“Estamos esperando, na verdade, até 800 criadores”, retifica o presidente da Federação de Criadores de Pássaros de Mato Grosso do Sul (Fecripas), o campo-grandense Thales Lopes Rezende Junior.
Para quem nunca ouviu falar da prática, a competição é fácil de entender. Os pássaros – e cada criador pode levar quantos quiser para competir, serão colocados nas gaiolas, com distância de 20 centímetros entre elas, formando uma grande roda.
Thales Júnior: disputa é para destacar pássaro que consiga cantar durante mais tempo
Com um sistema eletrônico ligado a cada animal, será feita a primeira marcação dos cantos, às 9h, com caráter eliminatório. Dos 500, ficam apenas 100. Ao meio-dia, a segunda etapa começa, e os pássaros que cantarem por mais tempo serão considerados vencedores. “Os criadores que chegarem à final receberão troféus”, destaca.
Treinamento
De acordo com Thales, o recorde nacional de canto de pássaro é de 12 minutos e 10 segundos. A competição não busca o canto mais alto ou mais bonito, mas sim o maior tempo de duração.
“É imprevisível, mas acho muito difícil batermos esse recorde no evento”, avalia.
O treinamento para que o pássaro aprenda a cantar por tanto tempo é trabalhoso. “Existe uma lapidação, como um atleta.”
Apenas os machos competem, mas as fêmeas têm papel decisivo. “Fêmea e macho andam juntos. O macho tem que se interessar por uma fêmea para começar a cantar, além dos passeios de sol, vitaminas e momentos de voo”, esclarece Thales.
Para os criadores que pretendem ganhar troféus, não há descanso. “Das 7h às 19h”. Pássaros dão muito trabalho, tem que gostar muito”.
De luxo
Não é qualquer pássaro que tem a habilidade para participar de competições. No caso, os curiós e os bicudos são os principais competidores.
Para se destacar no meio, é preciso investir. “Pássaro que chega a custar R$ 10 mil, ou até mais, é normal”, revela o presidente da Fecripas.
“Para criador, trocar carro zero por pássaro é comum”, afirma. Mas os animais, felizmente, não são tratados como objetos de luxo. “O bicho é igual a um bebê. Te reconhece quando você chega, fica feliz”, descreve Thales. “E eles podem viver de 25 a 30 anos. Quando o criador gosta do pássaro, morre junto, não vende por nada”