Foi-se o tempo em que gatos e cachorros eram deixados sozinhos em casa, sem cuidados e monitoramento, enquanto os donos viajavam de férias por vários dias. “Não existe mais isso de deixar o animal sozinho, solto no quintal, apenas com água e ração”, comenta a cabeleireira Daniela Reis, 38 anos, que tem cinco cães e quatro gatos em casa.
Com a crescente preocupação das famílias, que tentam oferecer o máximo de atenção e bem-estar aos seus bichos de estimação, surgem também novas profissões e serviços, específicos para os cuidados dos pets.
Em São Paulo, a primeira empresa brasileira de “pet sitter”, os babás de animais, foi inaugurada em 2010. Já em Campo Grande, começam a aparecer os profissionais especializados em tomar conta de cachorros, gatos e outros animais de estimação. Essas pessoas geralmente unem a paixão pelos animais com a possibilidade de ter uma renda extra.
A analista de sistemas Carla Patrícia Coelho decidiu se dedicar ao ofício. Desde o início do ano, ela se divide entre o emprego regular, em que faz consultoria empresarial, e a missão de alimentar, tratar, cuidar e brincar com cães e gatos de outras pessoas.
Uma de suas clientes é Daniela, que explica por que sempre opta pelos serviços de um pet sitter. “O animal fica em casa, então, sofre menos estresse”, diz.
FORMAÇÃO
Ser um pet sitter não é apenas visitar e alimentar o animal. Carla explica que é necessário ter conhecimento e formação. “Um curso de primeiros socorros é o essencial”, destaca. “Se o animal passar mal, a pessoa tem que saber como proceder”.
Criar vínculo com os bichos antes de iniciar os serviços também é ponto fundamental. “Você tem que ir até a casa, conhecer os animais, fazer eles se adaptarem a você. É preciso ter um entrosamento, até para poder passear e realizar todos os cuidados”.
Em São Paulo, existem cursos para formar pet sitter. Por aqui, a opção ainda é inexistente.
Para quem tem vontade em trabalhar no ramo, Carla alerta: “Antes de tudo, é preciso gostar muito de animais. Senão, não adianta. É a regra básica”.
Os cuidados do pet sitter incluem carinho, atenção e brincadeiras, que são peças importantes para evitar o estresse e a depressão dos bichinhos, enquanto os donos estão ausentes.
HOTÉIS E TÁXI DOG
Nos hotéis para animais, as exigências dos clientes são cada vez maiores. “Eu pego o número do celular da pessoa e mando fotos e notícia todos os dias, para ela ver que está tudo bem”, relata a veterinária Jaqueline Gabriel Finkler, que há dois anos abriu, nos fundos de casa, um hotel para pets, que também oferece banho e tosa, e o serviço de “táxi dog”. “Nós buscamos e, depois, levamos para casa os animais que tomam banho e fazem tosa”, explica.
E há, ainda, o serviço de “pernoite”, para quando a pessoa vai a alguma compromisso noturno e não quer deixar o animal sozinho em casa, mesmo que por algumas horas.
A empresa é familiar e todos ajudam, inclusive o pai, a mãe e a irmã de Jaqueline. O negócio deu certo logo de início, e a veterinária comemora o contínuo aumento de clientes. “As pessoas procuram cada vez mais. E é só no boca a boca”, relata.
Preocupados e nervosos por deixar os pets no hotel, os clientes pedem de tudo. “Já tive cliente que pediu para eu colocar o telefone no ouvido do cachorro, para eles conversarem”, conta, rindo. “Eu coloquei, claro”.
Outros pedem para esperar o banho e a tosa, observando de perto o tratamento. “Mas quando percebem que nós os tratamos como se fossem nossos próprios filhos, os clientes ficam mais tranquilos e, nas outras vezes, não ficam tão em cima”, diz a empresária.
Além das notícias e atualizações diárias, a empresa de Jaqueline também tem uma conta no Instagram (@centrodeesteticahappydog), em que são publicadas fotos de todos os cachorros que passam por seus cuidados.
Vale tudo para tranquilizar os clientes, que mais parecem pais aflitos.