Mato Grosso do Sul está “ilhado” com os casos de febre chikungunya confirmados em três dos cinco estados vizinhos. Com a doença “batendo à porta”, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) vai iniciar a capacitação dos agentes comunitários de saúde no dia 13. A diretora de vigilância epidemiológica da SES, Bernadete Lewandowski, explica que o trabalho é o mesmo feito para combater a dengue. “Já temos nosso plano de contingência. Vamos combater o vetor e fortalecer a área de assistência”.
Segundo ela, está todo mundo em alerta em razão da gravidade da doença. “Não podemos nos descuidar, porque se a epidemia começa fica difícil de controlar. O mosquito pode estar aqui e a gente ainda não sabe”, justifica. A doença, “prima” da dengue, tem dois mosquitos transmissores, o Aedes albopictus, presente em 32 municípios do Estado, e o próprio Aedes aegypti, que também transmite a dengue, nas 79 cidades de Mato Grosso do Sul. “Não sabemos ainda qual dos dois está transmitindo a doença aqui”.
A única certeza da especialista é que a doença vai chegar ao Estado a qualquer momento. “A doença já está no Brasil e o mosquito não conhece fronteiras. Ele pode viajar dentro de um carro que vem lá do Norte e descer aqui, louco de fome”, reforça. Dessa forma, a fêmea que é a transmissora pica o ser humano para maturação dos óvulos. Com 45 dias de vida, ela pode contaminar centenas de pessoas, que vão sofrer dores crônicas nas articulações por meses e até anos. “A Chikungunya pode deixar a pessoa incapacitada por longo período. Se a pessoa tiver alguma outra comorbidade associada, pode até ir a óbito”.
A orientação é de que, nos casos de coleta de material, se der negativo para a dengue, o material vai ser encaminhado para o Instituto Evandro Chagas, onde é o laboratório referência para os casos da doença no País. “Vamos ir em todos os municípios acompanhar os trabalhos, para confirmar se estão atendendo ao que o Ministério da Saúde preconiza”.
O último levantamento divulgado pelo ministério confirma 79 casos de febre chikungunya no Brasil, até o dia 27 de setembro deste ano. Deste total, 38 são importados de pessoas que viajaram para países com transmissão da doença, como República Dominicana, Haiti, Venezuela, Ilhas do Caribe e Guiana Francesa. Os outros 41 foram diagnosticados em pessoas sem registro de viagem internacional para países onde ocorre a transmissão. Desses casos, chamados de autóctones, oito foram registrados no município de Oiapoque (AP) e 33 no município de Feira de Santana (BA).