Neste Dia das Crianças, que é comemorado amanhã, uma boa notícia para os pequenos e para os pets. De acordo com estudo recente publicado na revista britânica Clinical & Experimental Allergy, cachorros e gatos podem fazer muito bem à saúde de bebês e crianças! Segundo o artigo, além de estimular a afetividade e o sistema locomotor, pesquisas mostram que o convívio não causa alergias – e poderia até diminuir a incidência do problema. Crianças que convivem com estes animais desde o primeiro ano de vida tendem a ter menos sensibilidade a seus alérgenos.
A pesquisa acompanhou a rotina de 565 participantes, do nascimento à vida adulta. Para a médica-veterinária de Campo Grande Evânia Marcia Silva Barros, não resta dúvidas dos benefícios oferecidos à criança que cresce com um pet. “Como veterinária, eu acredito muito nessa relação como algo positivo, que ensina a criança a questão do afeto e carinho”, destaca.
No caso de alergias, Evânia é mais cautelosa. “Pediatras recomendam que crianças alérgicas não tenham animais em casa. Fora esses casos, eu acredito que, se você acostumar um animal à sua rotina, vai acabar criando resistência aos alérgenos. Mas depende de cada organismo.”
Melhores amigos
Na Capital, famílias relatam as amizades saudáveis entre crianças e animais. A advogada Thaís Paes de Campos, 36 anos, é mãe de Heloísa, de um ano e meio. A filha, assim que nasceu, formou uma amizade forte e duradoura com a cachorrinha de Thaís, a shih-tzu Lana, de quatro anos. “Elas são uma duplinha dinâmica”, diz Thaís. “Vivem brincando, grudadas, uma provocando a outra.”

O afeto surgiu quase de imediato, com Lana cuidando da porta do quarto de Heloísa.Thaís não teve preocupações. “A Lana sempre foi uma cadela muito tranquila.” As vantagens são muitas, relata a mãe. Heloísa se movimenta mais com as brincadeiras de Lana, além de ter criado um laço afetivo logo cedo. A menina também já se preocupa com o bem-estar da amiga pet. “Às vezes, ela mesma pega o saco de ração e coloca ao lado do pote de comer da Lana. Ela sabe que precisamos alimentar e dar água. Já existe um senso de responsabilidade.”
Inseparáveis
No caso da jornalista Aline Kraemer Kohl, 35 anos, a chegada da primeira filha, Ana Beatriz, hoje com dois anos, foi sem animais em casa. Aline relata que já havia feito tentativas de levar o cachorrinho Brad, de oito anos, para morar em sua casa. “Mas ela preferia morar com a minha mãe.” Só depois do nascimento de Ana Beatriz é que Brad aceitou mudar de casa. “Nós sentimos o quanto ele queria isso. A amizade entre eles é linda demais”, relata Aline. “Ele está sempre cuidando dela, observando-a no carrinho, no berço, no chão, mamando, em qualquer lugar.”
O afeto é tanto que o cachorro fica doente quando separado da amiga. “Se a gente viaja e não o leva, a imunidade dele cai e ele adoece”. Assim como na casa de Thaís, da amizade improvável surgem avanços para a criança, que se locomove mais pela casa por conta das brincadeiras e, também, cria uma sensibilidade aguçada. “A Ana Beatriz já respeita os bichinhos, essa relação é totalmente saudável”, diz a mãe.
Dia das crianças
Nesta data comemorativa, muitos pais acham uma boa ideia presentear os filhos com um animal de estimação. Os protetores animais fazem um apelo quanto à prática e ressaltam que animal não é brinquedo. “É preciso ter muita responsabilidade e pensar muito bem antes de tomar essa decisão”, recomenda Aline, com experiência própria na criação de cachorros e crianças. Se a decisão for pensada, em vez de comprar, os pais podem adotar bichinhos que procuram um lar. A “Seção animal”, ao lado, é uma boa dica de como começar.