Com a justificativa de alto custo e pouco dinheiro em caixa, a Prefeitura de Campo Grande confirmou ontem (19) que não vai promover o Show da Virada, evento tradicional do Réveillon da cidade e realizado há mais de 15 anos na Avenida Fernando Corrêa da Costa. Contudo, a justificativa da administração não convenceu vereadores e entidades culturais, que lembraram da polêmica envolvendo a realização da “Quinta Gospel”, evento mensal destinado ao público evangélico. Desde quando Gilmar Olarte assumiu o comando da Capital – em março – até o mês de agosto, foram gastos R$ 147.596 em contratos com artistas nacionais que se apresentaram no evento evangélico.
A assessoria de imprensa da prefeitura informou que “o dispêndio alto de recursos pode ser considerado por sua não realização”, quando questionada sobre o Show da Virada deste ano. A alternativa para o campo-grandense, que era acostumado a celebrar a chegada do ano sem pagar nada e ainda acompanhando shows musicais, será a Cidade do Natal. No entanto, a prefeitura confirma apenas uma queima de fogos nos altos da Afonso Pena, informando ainda que “não há definição se será antes ou durante
a virada”.
Mesmo justificando o alto custo para realização do show durante o Réveillon, a prefeitura gastaria menos no evento simbólico de passagem de ano do que em eventos mensais da “Quinta Gospel”. Tudo porque, desde 2010, a festa na Fernando Corrêa era realizada com apresentação de artistas regionais, como a cantora Lia Mayo, Patty e Banda, Michele e Banda, Grupo Fascínio, Banda Maria Elétrica, Vanessa Ayala e Banda Lilás, que se apresentou no show de 2013 para 2014. A Fundação Municipal de Cultura (Fundac) não divulgou os valores gastos nos contratos, mas a reportagem apurou que o show de um grupo regional, que tenha duração de até 5 horas, custa de R$ 20 mil a R$ 35 mil aos cofres públicos.
Quinta gospel
Com base nas publicações do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), a reportagem apurou que em cinco meses a prefeitura gastou R$ 147.596 só com os cachês pagos a artistas para realização da “Quinta Gospel”. O primeiro contrato fechado entre a administração de Olarte e artistas foi em abril, quando a banda Oficina G3 recebeu R$ 46.540 para tocar no evento. O segundo foi fechado em maio, entre a Fundac e o cantor Chris Duran, que cobrou R$ 23.600. A cantora Fernanda Brum, que se apresentou em junho, recebeu cachê no valor de R$ 35.200 e a banda Rosa de Saron, atração do mês de julho, cobrou R$ 42.256 para participar da “Quinta Gospel”. A última atração nacional que participou antes do grande impasse envolvendo o evento foi a cantora Cassiane, em agosto, mas os valores gastos com o cachê até agora não foram divulgados.
A reportagem, de Aliny Mary Dias, está na edição de hoje (20) do jornal Correio do Estado.