Cidades

VIOLÊNCIA

Esquema antiterrorismo é reforçado na França

Pelo menos 3 mil buscam dois irmãos apontados como executores

Redação

09/01/2015 - 07h51

Mais de 88 mil agentes das forças de segurança pública da França estão diretamente envolvidos nas ações de vigilância, prevenção e proteção dos cidadãos, das instalações e do território francês. Parte desse efetivo tenta, desde anteontem (7), capturar os dois suspeitos de terem atacado a redação do semanário satírico Charlie Hebdo e matado 12 pessoas, incluindo dois policiais.
Poucas horas após o ataque ao jornal, no centro de Paris, o governo francês elevou ao máximo o nível de alerta do plano interministerial contra o terrorismo, chamado de VigiPirata. Uma verdadeira operação de guerra foi acionada para tentar evitar novos ataques. Nove pessoas já foram presas.
Segundo o Ministério do Interior, há 88.150 agentes estrategicamente espalhados: 50 mil policiais militares, 32 mil gendarmes (soldados de uma corporação especial encarregada de manter a ordem pública), 5 mil integrantes de forças móveis e 1.150 militares.

Pelo menos 3 mil policiais franceses procuraram, ontem, os dois irmãos que são suspeitos de terem cometido o atentado contra a sede do jornal satírico francês Charlie Hebdo. Eles foram identificados como Said Kouachi, 34, e Cherif Kouachi, 32. Um terceiro suspeito, identificado como Hamyd Mourad, 18, entregou-se após ver seu nome circular nas redes sociais e afirma que é inocente. Amigos dizem que, na hora do atentado, ele estava em aula.

Entre as vítimas – mortas a tiros – está o diretor da publicação, Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb. Foram mortos 8 funcionários do jornal, um colaborador da publicação, um funcionário do prédio em que funciona o veículo e dois policiais. Além dos mortos, 11 ficaram feridos, quatro em estado grave. Ontem, houve um novo tiroteio, que terminou com uma policial morta e outra vítima em estado grave, mas não se sabe se há relação entre os casos. Os policiais divulgaram fotos dos irmãos em busca de informações que possam levar a sua captura e advertiram que Cherif e Said Kuachi “estão armados e são perigosos”. Segundo um oficial, a polícia deteve várias pessoas durante a madrugada, ligadas aos três suspeitos. Uma grande operação foi deflagrada na cidade de Reims, no nordeste da França. Imagens de policiais em posição de tiro e do envio de forças à cidade foram transmitidas pelas emissoras de notícias 24 horas.

Tiroteio e explosão

Um tiroteio no qual uma policial foi assassinada, ontem, ao sul de Paris, e um funcionário da prefeitura foi ferido gravemente foi um ato terrorista, segundo a qualificação dada pela procuradoria antiterrorista francesa. As forças de segurança buscam o autor dos disparos, um homem que usava um colete à prova de balas e estava fortemente armado. O tiroteio aconteceu pouco antes das 8h locais (5h de Brasília), quando uma patrulha da polícia municipal foi ao local onde havia acontecido um acidente de trânsito, perto da Porte de Châtillon, em Paris.

Uma agente de 35 anos foi atingida mortalmente por disparos, que também feriram com gravidade um funcionário municipal. Na manhã de ontem, uma explosão destruiu parte de um restaurante árabe que fica ao lado de uma mesquita, em Villefranche sur Saône, no oeste da França. De acordo com a imprensa francesa, a explosão tem origem criminosa, mas não provocou vítimas. Inicialmente, segundo o jornal Libération, os bombeiros e a polícia pensaram na hipótese de um vazamento de gás, mas a possibilidade foi afastada. A área foi isolada pelas autoridades. Ainda é cedo para estabelecer ligações com o ataque terrorista à redação da revista satírica Charlie Hebdo, mas as autoridades estão preocupadas com uma possível vinculação entre os dois casos.

Em aula

Colegas de classe do jovem de 18 anos suspeito de ter participado do ataque contra o jornal satírico Charlie Hebdo estão usando o Twitter para defender sua inocência. Com a hashtag #MouradHamydInnocent, os amigos afirmam que Mourad Hamyd estava em aula quando os atiradores deixaram ao menos 12 mortos, ao abrir fogo na sede do jornal em Paris. Logo depois da menção ao nome de Hamy, os colegas de classe começaram a tuitar em defesa do jovem.  “Ele é da minha sala e ele estava lá durante três matérias pela manhã”, disse @babydroma. Aparentemente frustrada por jornalistas que questionavam sua identidade e motivação, horas depois a usuária da conta afirmou: “Juro que não falei com Mourad mais do que cinco vezes, mas me sinto obrigada a ajudá-lo”.

Em Campo Grande

Diversos chefes de Estado e autoridades de órgãos internacionais e nacionais manifestam, desde anteontem,  seu repúdio ao ataque contra a sede da revista satírica Charlie Hebdo. Em Campo Grande, o secretário municipal de Saúde, Jamal Mohamed Salem, que faz parte da irmandade muçulmana, manifestou seu total repúdio ao atentado ocorrido na França, segundo ele, por homens que se dizem, mas não são muçulmanos. “Nós [os muçulmanos] somos contra tudo isso; o que ocorreu é terrorismo inaceitável. Tirar a vida de outra pessoa é errado e estas pessoas não são muçulmanas”. O secretário destacou o significado do Islamismo e continuou: “Islamismo significa paz, perdoar as pessoas, portanto, estes terroristas não são muçulmanos. Este ato foi de terrorismo e é reprovado por qualquer um de nós”. 

Outro representante da comunidade islâmica em Campo Grande, o comerciante Marzuk Hauache, endossa a opinião de Jamal Salem. “Estes assassinos, bandidos, não fazem parte do quadro islâmico. Não somos nós que fabricamos estes grupos de fanáticos, que, infelizmente, existem em qualquer meio religioso. Eles são bandidos e o Islã não os aceita de jeito nenhum”. 

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