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Goiás

Suposto serial killer tem primeira audiência

Suposto serial killer tem primeira audiência

Redação

09/01/2015 - 12h15
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Assassino confesso de 29 pessoas, o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha participa de audiência de instrução preliminar na manhã desta sexta-feira (9), no Tribunal do Júri de Goiânia, pela morte de Rosirene Gualberto. Esta é a primeira oitiva em relação à série de homicídios da qual é acusado.

Designada pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, a audiência começou por volta das 9h20. Tiago chegou cerca de dez minutos antes do início. Um grande esquema de segurança foi montado para levá-lo do Núcleo de Custódia do Complexo Prisional, em Aparecida de Goiânia, onde está preso, ao Tribunal do Júri.

Foram convocadas para a audiência oito testemunhas. Dentre elas estão três irmãos da vítima: Rossilda Gualberto, que estava com a irmã no momento do crime, Ivanete Gualberto e Henrique Gualberto.  Antes da audiência, Ivanete afirmou que a irmã era sua companheira. "A dor não tem descrição", disse.

Denúncias
O caso de Rosirene foi o primeiro homicídio em que o Ministério Público Estadual (MP-GO) representou contra Tiago. O vigilante é acusado de homicídio duplamente qualificado. Segundo o promotor de Justiça João Teles de Moura, responsável pela denúncia, Tiago "ceifou a vida de Rosirene, munido de sentimento de crueldade, buscando o crime como satisfação mórbida de prazer".

As principais provas contra o vigilante neste crime são o Termo de Interrogatório e o laudo pericial - que confirmou que a bala que atingiu a vítima saiu do revólver apreendido com Tiago.

Na Justiça, o susposto serial killer ainda responde por dois roubos cometidos a uma mesma casa lotérica do Setor Central. Em menos de um mês, ele foi ao local e levou R$ 11,9 mil do estabelecimento. Por este delito, já existe uma audiência marcada para o dia 19 de janeiro.

Crime
Rosirene foi assassinada com um tiro no peito quando estava com a irmã, Rossilda, em um VW Gol, no Setor dos Funcionários, em Goiânia. Segundo a investigação, elas estavam indo para uma danceteria e foram abordadas por Tiago assim que estacionaram o carro nas proximidades do local.

O vigilante, que estava em uma motocicleta, parou ao lado do veículo e exigiu que Rosirene, que conduzia o automóvel, lhe entregasse a chave. Antes de que a vítima pegasse o objeto, Tiago disparou contra as irmãs e fugiu em seguida sem levar nada.

Rossilda, que levou um tiro de raspão, sobreviveu ao atentado. Segundo o promotor, ela contribuiu de forma decisiva para a investigação. "A prova testemunhal é muito forte. A irmã dela, que sofreu um tiro de raspão, submeteu-se a um termo de reconhecimento de pessoas e ela o reconheceu. Foi ela também que deu essa descrição para que a Polícia Técnica [Científica] fizesse o retrato falado dele", explica.

No dia 21 de novembro, a Polícia Civil concluiu três inquéritos e indiciou Tiago pelo homicídio de Rosirene, além das mortes de Juliana Neubia Dias, de 22 anos, e Arlete dos Anjos Carvalho, de 16 anos.

Menos de duas semanas depois, laudos balísticos apresentados pela Polícia Técnico-Científica comprovaram que outras 13 vítimas foram mortas por balas que saíram do revólver encontrado com Tiago. São elas: Tais Pereira Almeida; a assessora parlamentar Ana Maria Victor Duarte, 27 anos; Beatriz Cristina Oliveira, 23; Bárbara Luiza Ribeiro, 14; Lilian Sissi Mesquita, 28; Wanessa Oliveira, 22; Thamara da Conceição, 17; Tayanara Rodrigues da Cruz, 13; a estudante Isadora Aparecida, 15; Ana Karla Lemes; Janaína Nicácio, 25; o fotógrafo Mauro Ferreira Nunes, 51; e Pedro Henrique de Paula Souza.

Apenas na morte de Bruna Gleycielle de Souza, de 26 anos, no dia 8 de maio deste ano, os resultados foram considerados inconclusivos. Apesar disso, a polícia pode indiciar Tiago pelo crime baseado em indícios e provas testemunhais.

Prisão
Tiago da Rocha foi preso no dia 14 de outubro de 2014, em Goiânia. Na ocasião, ele confessou à Polícia Civil ter matado 39 pessoas desde 2011. Entretanto, segundo informou o delegado Murilo Polati, o vigilante prestou novos depoimentos na companhia de advogados e reduziu o número de confissões para 29.

Além dos crimes investigados pela força-tarefa da polícia, ele também confessou  assassinatos de homossexuais e moradores de rua.

O vigilante ficou em uma cela da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) por oito dias. No local, segundo revelou o delegado Eduardo Prado, o suspeito afirmou aos policiais que "estava com vontade de matar".

No dia 22 de outubro, Tiago foi transferido para o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional, em Aparecida de Goiânia. Durante a transferência, mesmo escoltado por 20 policiais, ele conseguiu agredir um fotógrafo com um chute no abdômen antes de ser colocado no carro da polícia. No dia seguinte, o delegado Murilo Polati afirmou, durante entrevista coletiva, que o vigilante voltou a fazer ameaças de morte, desta vez, para os detentos do Núcleo de Custódia.

Atualmente, a unidade informou que o jovem não tem apresentado sinais de agressividade e passa a maior parte do tempo lendo na própria cela, onde fica sozinho. “Desde a chegada dele ao Complexo Prisional, não manifestou nenhum comportamento anormal. Ele está com a rotina normal: banho de sol, alimentação, está sendo acompanhado por psicólogos e não manifestou nenhum comportamento agressivo”, relatou o gerente regional prisional, Leandro Ezequiel.

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