A Prefeitura de Campo Grande vai reduzir plantões nas unidades de saúde, mas compensar com a contração de novos médicos. Neste ano, 86 profissionais já foram contratados e outros 156 estão na lista de espera, podendo ser chamados nos próximos dias para atuar nos postos. O objetivo é melhorar a qualidade do atendimento e, principalmente, reduzir o tempo de espera dos pacientes.
O secretário municipal de Administração, Wilson do Prado, explicou que a medida surgiu após levantamento detalhado que revelou a situação do Sistema Único de Saúde (SUS) da cidade.
“Decidimos aumentar o atendimento onde tem maior demanda e limitar os plantões. Assim temos mais médicos e ainda reduzimos a folha em 20%, sem perder a qualidade do serviço”.
Anteriormente, os médicos atuavam sem período de descanso obrigatório, fazendo uma sobreposição de plantões. “Havia uma sobrecarga de trabalho e limitamos para 14 plantões de 12h por mês para cada profissional. Assim há menos estresse e evitamos o afastamento por problemas de excesso de trabalho”, acrescentou. A reportagem apurou que esse número chegava a ser o dobro, 28 plantões por mês.
Mudando o quadro que existia, de poucos médicos fixos, a prefeitura reduziu os serviços de plantões volantes – em que os médicos iam até as unidades com excesso de demanda por atendimento. O modelo tinha sido implantado pelo prefeito cassado Alcides Bernal. “Equilibramos a quantidade de atendimento de pessoas, com a quantidade de médicos necessários, e os plantões viáveis para cada um desses profissionais”.
Outra medida anunciada pelo secretário de Administração é o aumento do rigor na fiscalização dos plantões médicos. “Já na semana que vem, vamos ter implantado em toda a rede de saúde um sistema eletrônico de acompanhamento desse serviço”, garantiu.
Novos médicos
Ainda há 156 médicos, já selecionados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), para atuar nas Unidades Básicas de Saúde ou nos Centros Regional de Saúde e Unidades de Pronto Atendimento Médico (UPAs), que atendem 24 horas. “Queremos evitar a espera da população no atendimento. Por isso, vamos convocar mais médicos assim que surgir a demanda”, concluiu.
Nos últimos dois anos, a prefeitura da Capital fez cinco convocações de médicos aprovados em concursos e em processos seletivos. Isso dá um montante de 946 novos médicos inseridos na rede de saúde pública da Capital. A prefeitura contratou ainda, em 2014, cerca de 320 profissionais entre enfermeiros, farmacêuticos, técnicos de enfermagem e de radiologia.
Na segunda-feira, o Município anunciou que começará a funcionar um novo canal com a Sesau, o Cadastro Para Médicos Temporários. A ferramenta possibilitará a inscrição de profissionais de diversas especialidades, para suprir o deficit das unidades de saúde de Campo Grande.
Apurações
A demora e até a falta de médicos sempre foram constantes queixas dos pacientes que dependem do SUS. Desde o ano passado, o Município tem sido alvo de ação civil pública da 32ª Promotoria de Justiça de Saúde, do Ministério Público Estadual (MPE). A promotora Filomena Aparecida Depolito Fluminhan constatou que faltam 816 leitos de todas as especialidades e 81 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Neste ano, ela prometeu fiscalizar os postos e os plantões médicos, bem como os equipamentos e medicamentos. A investigação já começou a ser feita pela sua coadjunta na promotoria, Daniela Cristina Guiotti.